Pub

A presidente da Federação dos Bancos Alimentares Portugueses recordava a importância de um simples fósforo na vida dos seus pais, para demonstrar que nos tempos que correm é preciso “recuperar estes hábitos de não desperdiçar nada”. “É preciso voltar a acender o fósforo no esquentador”, afirmou, ao mesmo tempo que dava a conhecer os números associados à situação de crise que atualmente se vive.

“Um quinto das famílias portuguesas têm uma pessoa desempregada e aqueles que perderam o emprego e têm 48 anos ou mais, dificilmente voltarão a trabalhar, porque estão muito velhos para o mercado de trabalho”, explicou Isabel Jonet, salientando ainda que a situação não vai ser fácil daqui para a frente e que o país tem de se unir no esforço de ser mais organizado e disciplinado em termos financeiros para poder pagar a divida externa. “Se a dívida externa de Portugal for perdoada, como aconteceu com a Grécia”, disse, “será péssimo para nós, pois em termos externos perderemos completamente a credibilidade e não conseguiremos, tão cedo, que os mercados e as instituições financeiras nos voltem a apoiar”.

Os alimentos recebidos e distribuídos pelos 19 BACF existentes em Portugal chegam a cerca de 1,5 milhões de pessoas. Todos os dias são distribuídas, pela instituição, 100 toneladas de bens, sempre com a ajuda de voluntários, que doam o seu tempo livre e o seu saber. “Ser voluntário é um exercício de cidadania e de corresponsabilização pelo bem comum”, referiu Isabel Jonet e prosseguiu: “tive a oportunidade de, há pouco, ver uma das equipas da vossa paróquia, que distribui alimentos durante o fim de semana e pude perceber a alegria com que o faziam. Na verdade, o trabalho organizado e desenvolvido em grupo é mais profícuo, gera resultados mais positivos do que o trabalho individual”, salientou.

A presidente do BACF desafiou ainda os presentes a serem voluntários ativos e interventivos, em todos os aspetos da vida. “Todos podemos e devemos ser voluntários”, disse. O simples “apanhar de uma garrafa, ou de um papel que está no chão e a sua colocação no recipiente correto”, passando pela “colaboração nas próprias campanhas do BACF, ou de outros movimentos, como o Limpar Portugal”, são oportunidades de desenvolver este espírito interventivo e, ao mesmo tempo, mudaram, segundo Isabel Jonet, a face do voluntariado e dos voluntários em Portugal, associada, durante muitos anos, somente às “senhoras que visitavam os doentes nos hospitais e nas cadeias”. “Todos fazemos parte de uma cadeia em que cada um deve dar o que pode e, assim, incorpora-se na bondade”, concluiu.

A conferência foi antecedida pela atuação de um grupo de artistas da cidade de Silves. Carla Silvestre (voz), Vitor Rodrigues (viola e harmónica) e Paulo Pires (acordeão) trouxeram à catedral temas como “Hallelujah”, de Leonard Cohen, “Estou além”, de António Variações, entre outros temas.

Este ciclo de ações, intitulado “Memórias Escondidas” surge como consequência da integração desta Sé na “Rota das Catedrais” e é, também, na sequência do programa de atividades previsto até ao final deste ano de 2011, que no próximo Advento (tempo de Preparação para o Natal) se farão quatro visitas guiadas à catedral, todas elas dinamizadas por pessoas diferentes e abordando temáticas distintas, de modo a que os visitantes possam compreender as dimensões artística, arquitetónica e espiritual do espaço, fruindo-o totalmente. Estas visitas terão lugar ao domingo (com início no dia 27 de novembro e fim no dia 18 de dezembro), pelas 17h00 e têm acesso livre.

Pub