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Esta foi uma das principais conclusões saídas das Jornadas de Comunicação Social 2011, promovidas pela Igreja Católica, entre quinta e sexta-feira passadas (29 e 30 de setembro), tendo como tema «Era digital: revolução na cultura e na sociedade», nas quais participaram uma centena de agentes da comunicação.

As jornadas, organizadas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja trouxeram a Portugal o responsável do Vaticano para esta área, D. Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais (CPCS).

O presidente do CPCS disse em Fátima que o Papa e a Igreja Católica se preocupam com o lado “humano” e não apenas tecnológico da nova “cultura digital”.

D. Claudio Celli falava sobre o tema escolhido por Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações 2012, «Silêncio e Palavra: caminho de evangelização».

Este responsável admite que o diálogo com “uma cultura digital originada pelas novas tecnologias” pode ser um dos “pontos mais delicados” de compreender, por parte da Igreja e até dos “meios de comunicação social”, face a uma “mudança de estilo de vida”.

“As novas tecnologias, hoje, não são apenas instrumentos de comunicação, tornaram-se ambientes de vida”, assinalou o presidente do CPCS.

“O Papa quer tocar um tema muito delicado, que é o da escuta, o silêncio que não é negação de vida, isolamento, abstração da realidade, mas uma atitude positiva, de disponibilidade, porque o diálogo tem necessidade não só de alguém que fala, mas também de alguém que escuta”, refere.

O presidente do CPCS disse que a Igreja Católica está a “procurar respostas” e ver “o que pode fazer” para dialogar com a “cultura digital”.

“Os instrumentos tecnológicos mudam a nossa vida”, disse D. Claudio Celli, alertando que “nem tudo é positivo” nesta transição.

Segundo o responsável, “o Papa dá uma leitura positiva deste movimento tecnológico, mas está consciente dos limites”, como, por exemplo, “a perda do gosto pelo silêncio” e o desaparecimento do “sentido do outro”.

Para o prelado, há que lamentar a ausência de páginas católicas na Internet que procurem apresentar os “grandes valores do ensinamento social da Igreja”.

“Temos dificuldades em expressar, com uma linguagem de hoje, digital, os valores que temos”, confessou.

D. Claudio Maria Celli afirmou que a Igreja Católica deve promover uma “mudança de mentalidade” diante das novas tecnologias e da atual “cultura digital”.

Este responsável apelou a uma “nova maneira de conceber a comunicação”, para lá da “mera transmissão de conteúdos”.

O membro da Cúria Romana lamentou a falta de “visão” sobre a necessidade de “preparar pessoas capacitadas” para estes desafios, admitindo que “muitos” dos portais da Igreja na Internet “caducaram” e outros “nascem já antigos, pouco dialogantes, pouco dinâmicos”.

A Igreja Católica, prosseguiu, deve preparar-se para “não chegar tarde”, porque “o mundo não espera”, marcado por uma “transformação profunda, uma verdadeira revolução, apenas comparável com a revolução provocada pela escrita, a imprensa e as telecomunicações”.

O presidente do CPCS disse ainda que a Igreja Católica é desafiada a procurar “peixes fora do aquário”, particularmente num mundo digital.

D. Claudio Celli disse que a Internet não basta, porque “é preciso encontrar uma comunidade”. “Há patologias, gente que vive apenas na Internet”, alertou o arcebispo italiano.

Aos católicos, acrescentou, compete aproveitar tudo o que tiverem ao seu alcance, em termos de tecnologia, mas respeitando “a prioridade do projeto”. “O projeto fundamental, prioritário, não é ter um site bonito, mas é ter uma comunidade que acredita em Deus”, precisou.

“Tenham o melhor site, empreguem as melhores tecnologias ao vosso alcance, mas há algo mais, depois, porque no final o que fascina, o que converte, é o testemunho de vida, esta comunidade que caminha”, acrescentou o presidente do CPCS.

Para D. Claudio Celli existe, nestes meios, um potencial para chegar a pessoas que “dificilmente entram numa Igreja” ou participam na missa aos domingos, deixando o convite a ser o mais “criativo” possível.

D. Manuel Clemente, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais (CECBCCS) e bispo do Porto, destacou a mudança “qualitativa” provocada pela importância crescente das novas tecnologias da comunicação.

“As novas tecnologias integram as plateias em palcos unificados”, precisou o bispo do Porto.

Para este responsável, há um potencial de incremento da “capacidade relacional” do ser humano por força do desenvolvimento das novas tecnologias da comunicação.

D. Manuel Clemente considerou que existem “dificuldades em explicitar o fenómeno religioso”.

O presidente da CECBCCS referiu também que a temática religiosa “é tão inevitável como difícil nos media generalistas e mesmo noutros mais específicos”.

A densidade dos temas religiosos “torna-os de difícil resumo e explicitação” porque estes “estão no campo do insondável”, frisou.

As Jornadas de Comunicação Social 2011 contaram ainda com as intervenções de Fernando Ilharco, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica; de Abílio Martins, administrador do portal Sapo; de José Ribeiro e Castro, deputado do CDS-PP; de José Luis Ramos Pinheiro, administrador da Rádio Renascença; de Francisco Teotónio Pereira, responsável pela produção multimédia da RTP; Paulo Rocha, diretor da Agência Ecclesia; do padre Júlio Grangeia, um dos primeiros sacerdotes portugueses a marcar presença na Internet; do cónego António Rego, diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja Católica; de Luís Sobral, responsável pela área digital da informação da TVI; de José Manuel Fernandes, antigo diretor do jornal ‘Público’; de Rosa Pedroso Lima, jornalista do ‘Expresso’; e de Licínio Lima, jornalista do «Diário de Notícias».

Redação com Ecclesia
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