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Os 232 algarvios que participaram na JMJ 2011 fizeram-no inscritos através do Setor da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve (171), do Caminho Neocatecumenal (45) e das Missionárias da Caridade (16), embora o segundo grupo tivesse participado apenas nos últimos três dias do encontro mundial aos quais juntou, após o seu encerramento, um quarto dia de encontro com o iniciador do Caminho Neocatecumenal, Kiko Argüello (ver caixa).

De entre os aspetos mais positivos da JMJ, e para além dos muitos concertos, encenações, e festas de rua espalhados pela capital espanhola, os responsáveis algarvios acordam em apontar à FOLHA DO DOMINGO como os mais significativos a participação dos 17 bispos portugueses e o encontro destes, presidido pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, no Madrid Arena, com os cerca de 12 mil jovens portugueses, a par da vigília noturna e da Eucaristia de encerramento com o Papa no aeródromo de Cuatro Vientos.

O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, que acompanhou o grupo inscrito através do Setor Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ), considera que o facto de o encontro no Madrid Arena ter ocorrido no contexto de toda a envolvência da JMJ, “acrescentou-lhe uma especificidade própria, que pode contribuir para uma maior integração e participação dos jovens na vida das Igrejas locais, a começar pelas suas comunidades paroquiais”.

Nelson Farinha, diretor do Setor da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve, considera que a vigília de oração “marcou a juventude” e que a missa final foi “uma festa com o Santo Padre com cerca de milhão e meio de jovens”. Aquele responsável acrescenta que também o encontro nacional com os prelados portugueses foi uma “festa enorme e sentida” e que “as palavras do patriarca chegaram ao coração dos jovens”.

O assistente daquele setor da Pastoral da Igreja algarvia, o padre António de Freitas, que destaca ainda o mesmo encontro pelos testemunhos partilhados e pela celebração realizada, considera que a catequese de D. José Policarpo “foi muito positiva porque o patriarca conseguiu tratar o assunto de um modo muito leve e com linguagem juvenil”. “Estava bem-disposto, falou abertamente e esteve disponível para responder às questões colocadas. Foi ao encontro dos jovens naquilo que são os seus problemas e interrogações atuais”, relatou, acrescentando aos aspetos mais positivos o número de participantes portugueses.

Opinião coincidente tem o padre Pedro Manuel, que acompanhou o grupo algarvio, inscrito através das Missionárias da Caridade, ao qual se juntaram elementos de Chelas (Lisboa) e Setúbal. O sacerdote algarvio realça a “linguagem muito terra-a-terra” e a “postura muito próxima da juventude”, quer do cardeal-patriarca quer de D. Manuel Clemente, bispo do Porto, numa das catequeses em que teve oportunidade de participar, e classifica mesmo a participação massiva dos bispos portugueses como “uma presença muito feliz” e a Eucaristia de encerramento como “uma graça”.

Também Sílvia Agostinho, animadora de um grupo de jovens da comunidade do Patacão, da paróquia algarvia de São Pedro de Faro, considera o encontro dos portugueses como o “aspeto mais marcante da JMJ”. “O encontro foi arrepiante. A animação, pela Banda Jota, foi espetacular e a mensagem de D. José Policarpo foi extraordinária”, considera aquela responsável que rumou a Madrid em plenas férias de família com o marido, a filha e o filho, estes respetivamente de 15 e 13 anos. Na semana anterior tinham estado na Comunidade Ecuménica de Taizé, em França, uma experiência que repetem de dois em dois anos e que este ano ajudou a preparar espiritualmente a participação naquela que foi a terceira JMJ vivida pelo casal.

“Esta experiência em família permite aos nossos filhos perceber o que é que nos move”, acrescenta a animadora que destaca a presença dos bispos portugueses como um “testemunho para os jovens”. “Sentimo-nos acompanhados e é algo que deve continuar a acontecer futuramente noutras JMJ”, complementa.

Nelson Farinha considera que também D. Manuel Quintas, outro dos bispos nacionais escolhidos para fazer catequeses com os jovens portugueses e brasileiros, esteve muito “à vontade” com os participantes. “Marcou os nossos jovens do Algarve, assim como outros de outras dioceses e do Brasil”, afirma.

Esta ideia é partilhada por Sílvia Agostinho. “A catequese do nosso bispo foi dinâmica, motivadora, interativa e participativa e mexeu com os jovens. D. Manuel estava muito à vontade a falar com os jovens e foi muito interessante o testemunho e a mensagem que nos passou”, conta a animadora.

O diretor do Setor Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ) também valoriza o acompanhamento do bispo do Algarve aos jovens da sua diocese. “Muitas vezes há aquela ideia de que o bispo está num determinado patamar, não sai dali e não chega aos jovens, e ao mostrar que a cabeça da diocese está com eles, D. Manuel Quintas foi um grande estímulo”, afirmou Nelson Farinha à Agência Ecclesia.

Globalização da fé e da cultura

O padre António de Freitas destaca também as catequeses para portugueses e brasileiros pela experiência de partilha da fé e de intercâmbio cultural. “Nestes encontros ouve um entrosamento e parecia que já nos conhecíamos. Tudo aquilo que normalmente é barreira – linguagem, cultura, feitios e modos de ver as coisas – ficou por terra. Parecíamos uma família e estes encontros são fundamentais porque, através deles, criam-se verdadeiros laços de amizade e de relação a partir da fé”, salienta, recordando as duas catequeses e Eucaristias presididas por D. António Francisco, bispo de Aveiro, e por D. Manuel Quintas.

Precisamente o bispo do Algarve enumera entre os aspetos mais positivos desta realização a “alegria e o entusiasmo que transparecia do rosto dos jovens”. “Certamente eram fruto dessa satisfação interior que só o encontro com Cristo proporciona, e que nem o cansaço, nem a chuva, nem os imprevistos, sempre presentes num encontro desta envergadura, conseguiram anular”, justifica D. Manuel Quintas que se mostra também impressionado pelo “silêncio prolongado” conseguido em diversos momentos de oração e interiorização, apesar do número tão grande de presentes. O prelado acrescenta ainda a experiência duma “Igreja jovem”, presente e proveniente de todo o mundo que a participação nesta JMJ lhe proporcionou.

Nelson Farinha fala também de um “sentimento muito positivo” dos jovens ao longo dos dias do encontro. “Estavam contentes com aquilo que estavam a viver. Muitos participaram pela primeira vez numa JMJ e depararam-se com uma realidade juvenil cristã da qual não tinham noção. O facto de estarem com cerca de 500 mil jovens numa grande cidade como Madrid marcou-os pelo número, pela participação, pela força e pela festa que havia diariamente e também os marcou o facto de muitos terem estado muito próximo de Bento XVI”, destaca aquele responsável.

Sílvia Agostinho conta que alguns dos seus jovens testemunharam a sua pequenez perante aqueles milhares de pessoas “com o mesmo espírito”. “Que mistério é este que faz mover tanta gente e dá felicidade a tantos?”, questiona a animadora que considera que estas experiências motivam a um “compromisso maior na comunidade onde vivemos”.

Proximidade de Bento XVI

O padre António de Freitas também destaca a proximidade alcançada através da presença diária de Bento XVI como um dos aspetos mais inovadores e positivos do encontro mundial. “Desta vez, o Papa decidiu estar presente todos os dias e não apenas na abertura e na vigília e missa de encerramento”, refere.

O padre Pedro Manuel viveu muito de perto alguns desses momentos em que Bento XVI se quis fazer presente e próximo entre os jovens. “No dia em que o Papa chegou ganhei uma graça a partir de um engano de um voluntário que me deixou passar para uma zona muito reservada. Fiquei num lugar muito privilegiado e muito próximo do Papa e, em algumas circunstâncias, estive a menos de um metro do Santo Padre”, conta.

Outra dessas ocasiões de maior proximidade com Bento XVI aconteceu quando o sacerdote e o grupo que acompanhava foram os únicos a entrar no Parque del Retiro para a celebração penitencial na qual Bento XVI confessaria quatro jovens voluntários da JMJ. O privilégio deveu-se ao facto de as irmãs Missionárias da Caridade fazerem parte da organização da JMJ, nomeadamente ao nível da realização da Tenda da Adoração.

O padre António de Freitas considera que esta iniciativa de Bento XVI foi uma das suas ações mais marcantes durante a semana. “O encontro em que o Papa confessou impulsionou a que os jovens se reconciliassem também”, salienta, explicando que os padres da zona onde estava confessaram diariamente durante cerca de duas horas e meia nos encontros de catequese. “Esses encontros foram também muito importantes para que os jovens se reconciliassem e reencontrassem com eles próprios e com Deus”, relata.

Também o padre Pedro Manuel relata a mesma experiência. “No segundo dia pensei dispor de duas horas para confessar. Sentei-me nos confessionários às 16h e até às 16.15h o movimento esteve muito fraco. Quando estava certo de que iria mesmo embora às 18h, as coisas alteraram-se e acabei por sair de lá às 22h. Confessei 6h de seguida”, testemunha, acrescentando que muitas pessoas “aproveitaram para «lavar» a alma”.

Acolhimento espanhol

O padre António de Freitas valoriza ainda a localização das grandes celebrações. “Era muito acessível e possibilitava que circulássemos sempre à volta do centro celebrativo da JMJ. Mesmo a nossa diocese ficou bem localizada e próxima dos eventos e das celebrações”, evidencia o sacerdote.

Os algarvios inscritos pelo SDPJ ficaram divididos em dois grupos, um deles, constituído pelos participantes das paróquias da Conceição de Faro, São Luís e São Pedro de Faro e Tavira, ficou alojado no Centro Paroquial da paróquia de São João Evangelista, no bairro de Salamanca, a 15 minutos de metro do centro de Madrid e o segundo, constituído pelos participantes de Almancil, Boliqueime, Estoi, Ferreiras, Lagoa, Loulé, Luz de Tavira, Mexilhoeira Grande, Portimão, Quarteira, e Quelfes, foi recebido no Colégio Juan Gris, no bairro madrileno de Vallecas, no centro da cidade.

No mesmo bairro, acolhido no refeitório social das Missionárias da Caridade, ficou alojado o grupo acompanhado pelo padre Pedro Manuel.

Os membros do Caminho Neocatecumenal foram os algarvios que ficaram mais distantes de Madrid, a cerca de 70 quilómetros da capital espanhola, alojados em São Martinho de Valedeiglesias.

Samuel Mendonça
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