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O padre Manuel Rodrigues, pároco de São Pedro de Faro, apresentou a sua experiência de assistência espiritual no Estabelecimento Prisional da capital algarvia. O sacerdote aludiu às dificuldades na assistência religiosa e espiritual da Igreja nos estabelecimentos prisionais. “Antes, a legislação garantia ao pároco o direito de entrar no estabelecimento prisional, agora está tudo a ser estruturado e há uma paragem, pelo que ainda não temos acesso ao Estabelecimento Prisional de Faro”, testemunhou, garantindo estar à espera da autorização da Direcção Geral dos Serviços Prisionais para voltar a poder exercer aquele trabalho.

O padre Manuel Rodrigues, que considerou ter sido “muito interessante” a experiência vivida no interior do estabelecimento prisional, lembrou que, apesar de tudo, “os reclusos mostram que são pessoas com valores”. “Eles sabem o que é bom mas depois desorientam”, justifica o prior, reconhecendo, no entanto, que “os reclusos dizem-nos, certamente, o que queremos ouvir”.

O sacerdote, que destacou as experiências na paróquia com vista à reintegração de alguns reclusos, apontou para a necessidade de “prevenir antes que aconteça a prisão” e para as “oportunidades” dadas após o cumprimento da pena. “Muitas vezes é difícil reintegrá-los porque já estão completamente afectados”, reconheceu, lembrando que alguns, quando chegam para pedir auxílio, “já não têm condições até para receber a ajuda”. “Mas isso é um desafio para todos nós. Não podemos ficar indiferentes. Não podemos pôr a pessoa à margem. A pessoa tem de ser acolhida de qualquer maneira. Temos é que descobrir como”, evidenciou.

O painel foi ainda participado por Ana Poupino e Miguel Abrunhosa que testemunharam a sua experiência de voluntariado em Moçambique no verão passado e apresentaram os projectos que daí advieram [ver notícia].

Samuel Mendonça

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