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A vaticanista, que já acompanhou 72 viagens papais, primeiro com João Paulo II e agora com Bento XVI, disse na conferência que proferiu na Sé de Silves que, dos 60 ou 70 jornalistas que seguem abordo do avião papal, “há 2 ou 3 que influenciam os outros”.

Aura Miguel critica a “moda” de que o jornalista deve ser neutro. “Não sei o que isso é. Não me importo nada de pertencer à Igreja católica”, destaca, considerando que “a grande maioria dos jornalistas não arrisca pertencer a Cristo” porque são “escravos da ditadura dominante do culturalmente correto”, lamentando que haja “uma base de superficialidade e de falta de preparação”. “No mundo anglo-saxónico, [os jornalistas] são mais honestos a trabalhar”, considera Aura Miguel, dando como exemplo a cobertura noticiosa da recente visita do Papa à sua terra natal. “Esta visita à Alemanha foi um sucesso tão grande que os media italianos estavam todos deprimidos”, afirmou.

A vaticanista portuguesa considera mesmo que Bento XVI, na altura da eleição, “tinha uma grande má fama causada pelos media”. “Passámos a conhecer o Papa, não como os media diziam que ele era, mas como ele é na verdade. As pessoas honestas percebem que o que os media diziam dele não bate certo”, salientou, acrescentando que Joseph Ratzinger, “sempre foi uma pessoa muito clara e muitas vezes teve de corrigir”. Segundo a jornalista, muita da sua “má fama”, “totalmente desmontada pelo Conclave” que foi “um dos mais rápidos da história” da Igreja, deriva do que, “os que não aceitaram a correção, fizeram correr” sobre ele.

Aura Miguel lembrou que Joseph Ratzinger “foi eleito conhecendo profundamente os problemas do mundo, particularmente o que se passa na Europa” e que uma das suas “grandes preocupações” é “qual será o destino cristão” do continente. “O Papa tem tentado «desmontar» a atitude de consciência de que somos «autossuficientes» e diz que, se não recuperarmos o temor de Deus, a fé vai desaparecer da Europa”, afirmou a conferencista, evidenciando o decréscimo do cristianismo entre os europeus comparativamente com o seu crescimento noutros continentes.

A jornalista considera, neste contexto, que uma das vertentes do pontificado de Bento XVI é “desfazer ambiguidades do que é ser cristão” e “ajudar aprofundar a fé de uma maneira inteligente” e evidenciou o combate do Papa contra o relativismo. “O Papa tem muita capacidade de fazer diagnósticos mas está carregadíssimo de esperança”, disse Aura Miguel, considerando que Bento XVI “põe o «dedo», não só na vida da sociedade, mas também na vida da Igreja”. “O Papa diz que a Igreja é rotineira, está acomodada e que os católicos não sabem usar a razão”, destacou a conferencista, lembrando uma entrevista ao ainda cardeal Ratzinger aquando da sua visita a Portugal em 1996. “Perguntei-lhe qual a maior heresia atual. Respondeu-me que era o cansaço da fé dos cristãos no Ocidente que a vivem de maneira rotineira e baça”, relatou.

Samuel Mendonça

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