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Inspirados pela passagem bíblica do Caminho de Emaús e impelidos pela vontade de “ser e fazer caminho”, o Carlos, a Ana, a Soraia, o Nelson, a Sophie, o Eurico, o Manuel, o frei Mota e o frei José António quiseram fazer deste tempo, um “tempo de oportunidade e de uma incessante vontade de encontrar Deus em verdadeira comunhão” com todos aqueles que tantas vezes cruzaram com eles os trilhos que percorriam.

“O caminho feito neste Ano Santo (Jacobeo), que é por excelência um ano de graça, foi entendido como um caminho de discernimento pessoal e enriquecimento de todo o grupo que física ou espiritualmente estava presente”, explica Soraia Niquice, uma das participantes.

A pé, saíram de Valença do Minho, seguindo por Tui, Porriño, Mos, Redondela, Cesantes, Arcade, Pontevedra, Barro, Caldas de Rei, Valga, Hébron, Padrón, Esclavitude, Milladoiro e finalmente Santiago de Compostela.

“As terras por onde passámos foram trilhadas e absorvidas em todo o seu esplendor à medida e ritmo de cada um dos peregrinos”, relata Soraia Niquice, confessando que “houve interrogações várias, respostas alcançadas, certezas e incertezas que se mantém, fé e amor”. “Houve sorrisos que se impuseram ao canto das aves, ao doce e apaziguador silêncio, ao suave segredar e murmurar do vento. Houve pensamentos que se fizeram acompanhar do bater ritmado do bordão que levávamos e, por diversas vezes, a percepção de uma dor física que se desvanecia perante o encantado vislumbrar de uma e outra vieira do peregrino, de mais um sinal de caminho certo”, acrescenta.

A peregrina algarvia salienta que o caminho foi por excelência o “alcançar de uma glória” que inevitavelmente imprimiu nos seus corações o “verdadeiro encontro com o outro”. “Caminho esse, onde se constatou que há algo missionário e amorosamente bom em todos os peregrinos que nos fugazes e repetidos encontros nos rematavam com um apaziguador «Buen Caminõ». Foi um caminhar repleto de sinais que Deus ousa transformar entre nós, fazendo-nos sinal de amor e força para com aquele que não conhecemos”, complementa.

“Será pertinente dizer que também nós fomos reportados ao Caminho de Emaús, onde não reconhecendo o estranho que connosco se cruza, vemos mais tarde que esse foi o mesmo que agiu em dom e por amor!? Quisemos crer que sim”, conclui.

Soraia Niquice constata que “houve momentos a descrever com minúcia, mas também esses se tornaram uma descoberta tão intensa e íntima” que motiva apenas o apelo de que também outros tomem o “verdadeiro caminho que o Senhor lhes indica”. “«Encaminate», dizia a «credencial del peregrino» que cuidadosamente «sellamos» nas terras que nos recebiam. Assim, procurou-se que cada um de nós tomasse e encontrasse o caminho que quer tomar na sua vida, contando sempre com a presença de Deus, verdadeiro sinal de Comunhão, Eucaristia e Paixão”, testemunha.

No fundo foi “um grupo, uma só fé, um só Deus, muitas formas de o reconhecer e o desejo de chegar tendo realizado e encontrado a razão que até ali nos levou”, explica, lembrando os “propósitos e intenções” com que passaram por terras, bosques, caminhos irregulares, albergues, fontes, rios, “conhecendo e reconhecendo o irmão e partilhando alegria e dor”. “Peregrinámos procurando fazer sempre caminho com o outro e para connosco com a graça de Deus”, complementa.

Soraia desafia ainda a quem se sinta interpelado por esta experiência a fazer-se igualmente caminho, tomando também o tema proposto pela Diocese do Algarve para o seu actual Programa Pastoral – “Fazei o que Ele vos disser”.

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