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O teólogo Juan Ambrosio defende que a Igreja está a ser “convocada à ousadia da renovação para cuidar da casa comum”, mas terá de passar por “quatro conversões”: “pastoral, cultural, ecológica e sinodal”.

Aquele professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa veio nos passados dias 12 e 13 de novembro ao Algarve apresentar uma reflexão sobre a encíclica ‘Fratelli Tutti’ (Todos Irmãos) do Papa Francisco, no primeiro dia na igreja das Ferreiras e no segundo no salão paroquial de São Luís, em Faro.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Ambrosio disse que a “uma Igreja renovada para cuidar da casa comum” é a “missão de Francisco”. “A preocupação de Francisco em renovar a Igreja, não é por causa da Igreja. É por causa da casa comum, para que esta casa possa ser uma casa para todos”, sustentou, sublinhando que o “sonho” do Papa, de “uma única humanidade”, inclui as periferias.

“Uma Igreja renovada, missionária, em saída, sinodalmente em direção às periferias. Não há exclusão nas periferias. São todas”, reforçou, afirmando que todas estas dimensões já se encontram, embora “ainda de uma maneira embrionária”, na exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ (A Alegria do Evangelho), escrita sete anos antes.

O teólogo lembrou que aquele documento propõe mesmo em relação às periferias uma “mudança significativa de paradigma”. “Definimos a periferia a partir do centro. Julgo que a mudança paradigmática que o texto ‘Evangelli Gaudium’ propõe é que façamos o exercício ao contrário, que pensemos o centro a partir da periferia. E o centro é a comunidade eclesial”, explicou, acrescentando ser necessário “que ela não olhe para as periferias a partir do que é, mas que se entenda a partir das periferias” e que “as periferias têm de ser o critério para a sua ação, para a sua identidade”.

“Um dos grandes perigos da Igreja, dos seus grandes pecados é a autoreferecialidade, estar centrada sobre sim mesma, preocupada sobre si mesma”, prosseguiu, considerando que “há uma proposta de um caminho que é feito e que está presente desde o primeiro momento do Papa Francisco e que se consubstancia aqui neste texto da ‘Fratelli Tutti’”.

Na iniciativa, promovida pela Cáritas Diocesana do Algarve no âmbito do último Dia Mundial do Pobre (14 de novembro), o orador destacou que esse “sonho está agora a ser concretizado” porque “está lançado naquilo que é 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos” que irá debruçar-se sobre o tema da sinodalidade.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Juan Ambrosio disse ainda que a ‘Fratelli Tutti’ “propõe uma forma de vida com sabor a evangelho”. “Este texto não surgiu por causa da pandemia. Foi acelerado por causa da pandemia”, afirmou, considerando que “‘Laudato Si’ e ‘Fratelli Tutti’ são textos dirigidos a toda a gente” e “não só às comunidades cristãs”.

O teólogo disse ainda que as múltiplas iniciativas lançadas pelo Papa, a acontecerem ao mesmo tempo, “não competem umas com as outras, mas estão todas ao serviço da mesma causa”. “Não perceber isto faz com que a leitura dos diversos textos e das diversas propostas possa ser dispersiva”, alertou, acrescentando ser preciso ter em conta que “todas elas têm o mesmo horizonte, o mesmo sentido” para que seja alcançada a mesma “meta”.

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