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Juan Ambrosio veio ao Algarve explicar que o Papa Francisco quer uma Igreja que deixe de ser “farol”

 

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© Samuel Mendonça

O teólogo Juan Ambrosio veio ao Algarve no passado sábado explicar que o Papa Francisco quer um novo paradigma de Igreja em que esta deixe de ser “farol” para passar a ser… “lanterninha”.

O professor da Universidade Católica Portuguesa, que voltou a ser o protagonista das Jornadas de Ação Sociocaritativa da Igreja algarvia que se realizaram no Centro Pastoral e Social de Ferragudo, explicou que “a proposta é que a Igreja deixe de ser farol porque o farol tem alguns limites. “O farol está ancorado num sítio e à medida que as pessoas se afastam desse sítio a luz vai-se tornando mais pequena porque esse sítio não se move. E, por ventura, se essas pessoas estão metidas por detrás de rochas, a luz passa por cima e faz sombra”, metaforizou o orador, acrescentando que a “lanterninha, mesmo que seja pífia”, “vai onde as pessoas estão e ilumina as sombras e recônditos dos locais onde as pessoas estão”. “Não está num sítio parado à espera que as pessoas vão ter com ela, mas vai ela ter ao pé das pessoas e leva lá a luz”, sustentou.

Neste sentido, Ambrosio considerou ser necessário “ir aos sítios onde se estão a construir os novos paradigmas de edificação da sociedade porque eles estão já tão distantes do «farol» que a luz do «farol» não chega lá”. “Ou vamos lá, e iluminamos com a luz do evangelho esses paradigmas, ou eles continuarão a fazer-se sem essa luz”, advertiu, acrescentando que “há uma necessidade imperiosa de evangelizar as culturas para inculturar o evangelho”. “Muitas vezes dizemos que o problema do mundo atual é a secularização, lamentando que o mundo se tenha afastado do evangelho. Mas a maneira como nós anunciámos, muitas vezes afastou-se do mundo. E estes dois movimentos, o que fizeram foi que se afastaram um do outro”, complementou, exortando a “olhar para a realidade atual, não como adversária mas como oportunidade”. “Esta mudança de mentalidade é urgente nas nossas comunidades”, considerou.

Neste sentido, Ambrosio aludiu à necessidade de diálogo com a cultura e a ciência. “Não podemos continuar a afirmar princípios doutrinais que não são de modo nenhum sustentados hoje pelos conhecimentos que temos acerca do humano. Há hoje conhecimentos que temos da realidade humana que não suportam já algumas afirmações que nós damos”, evidenciou, considerando que “o desafio não é só que a cultura e a ciência sejam iluminadas pela fé, mas que a fé se deixe iluminar também pela cultura e pela ciência”, para que possa ser “insculturada”.

Na abordagem que fez durante o dia ao capítulo IV (dedicado à dimensão social da evangelização) da exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ (A Alegria do Evangelho) do Papa Francisco, um documento que considerou como a “guia de marcha para a Igreja nos próximos anos”, o orador alertou que o pontífice pretende uma “nova etapa evangelizadora”, expressão introduzida por Francisco, que se “afastou ligeiramente da categoria Nova Evangelização”, gasta porque usada pela Igreja há muitas décadas. “Prefere esta expressão que não é simplesmente para substituir a outra. Esta expressão afasta-nos das discussões do que é que a Nova Evangelização difere em relação à evangelização”, considerou Ambrosio.

Neste sentido, o conferencista disse que a marca que carateriza esta nova etapa evangelizadora é a necessidade de recorrer a uma “montanha de ternura”, lembrando a expressão que o Papa usa no documento para destacar Maria como “modelo de evangelização”: «Maria é aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura». Ambrosio enfatiza a urgência da mudança de paradigma. “Quando fazemos evangelização, geralmente invertemos isto: é um pouco de ternura e uma montanha de paninhos que são as metodologias, esquemas, análises”, lamentou.

O conferencista considerou ainda que o que é dito na exortação “é que o núcleo do evangelho é a alegria” e advertiu que “se o anúncio do evangelho não provoca alegria, algo vai mal”. “Muitas vezes, a gente faz um anúncio do evangelho em que utilizamos o evangelho não como um anúncio da alegria, mas como uma arma de arremesso com que a gente julga os outros, amarfanha os outros e quase impede os outros de vir”, lamentou.

Conferência de Juan Ambrosio (1ª parte):

Conferência de Juan Ambrosio (2ª parte):

Conferência de Juan Ambrosio (3ª parte):

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