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Laranja do Algarve com quebra global de 60% a 70% este verão

LaranjasA laranja do Algarve registou uma quebra global de produção entre 60% a 70% na campanha de verão deste ano, que terminou no dia 30 de setembro, em relação a 2012, segundo os produtores.

A redução foi provocada pela onda de calor que houve no ano passado na época da floração e que impediu a floração da laranja que seria para produzir este ano.

Apesar da quebra, com alguns agricultores a sofrerem perdas na ordem dos 90%, outros não foram tão afetados pelo tempo, registaram quebras de 20% e “ganharam dinheiro”, explicou Pedro Madeira, presidente da Frusoal, sociedade com 23 anos de existência no Algarve e que congrega cerca de 50 produtores de citrinos.

“Esta campanha foi ótima para quem teve laranja, o problema é que a percentagem que viu a sua produção brutalmente produzida é muito grande e para esses foi má”, observou o empresário.

Uma grande parte das laranjas que resistiram às intempéries da onda de calor, por um lado, e da geada, por outro, foram para países europeus e africanos, enquanto o mercado nacional absorveu os restantes 40%.

“Sessenta por cento da exportação foi para França, Itália Suíça, Luxemburgo, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Angola, Cabo Verde, Polónia, Dinamarca, Noruega e Suécia”, enumerou Horácio Ferreira, um dos responsáveis pela Cacial, a cooperativa mais antiga do Algarve, que faz 50 anos em 2014 e conta com 90 pequenos produtores de laranja.

“A campanha terminou no dia 30 de setembro, revelou-se de pequena quantidade, houve um abaixamento na laranja de verão na ordem dos 50%, na laranja da primavera na ordem dos 30% e na de inverno na ordem dos 20%”, admitiu Horácio Ferreira, reconhecendo que as principais causas do abaixamento de produção na laranja do verão foram as geadas.

O produtor Fernando Cristina explicou, por seu turno, que a campanha da laranja teve dois picos, um “pico de inverno com preços baixos” e um “pico de verão” que atingiu “preços compensadores”.

A laranja do Algarve é considerada das melhores do mundo e tem a certificação de qualidade “Cítricos do Algarve”, mas para aumentar a produção é preciso “mudar mentalidades”, haver “mais jovens”, “mais dinamismo” e “associativismo” à volta de cooperativas, defendeu Horácio Ferreira.

“Temos mercado, temos experiência, temos estrutura, mas também é preciso dinamizar e trazer mais jovens produtores”, argumentou.

O escoamento dos citrinos algarvios está também muito dependente da indústria espanhola, que compra toneladas daquele fruto para o transformar em sumos, de acordo com os produtores.

Muita da produção de laranja vai para Espanha, para essa indústria de sumos: “A nossa laranja tem uma coloração mais viva e a percentagem de sumo é maior”, apontou Horácio Ferreira.

O Algarve produz em média entre 250 a 300 mil toneladas de laranja por ano.

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