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A Lectio Divina que se faz é do Evangelho do domingo seguinte, o que, segundo os participantes “permite saborear, de uma maneira mais aprofundada e meditada, o que vai ser lido e escutado no Dia do Senhor”.

Nesta época da Quaresma, algumas sessões têm sido já preparadas por equipas do grupo, formadas por duas pessoas cada, que, para além de prepararem também o respectivo cenário, estudam, lêem, meditam, contemplam, rezam, partilham e exortam à acção, segundo a mensagem do Evangelho.

Os participantes explicam que a leitura orante da Bíblia, ou Lectio Divina, é um “alimento necessário para a vida espiritual do cristão”. “A partir desta oração, tomamos consciência do plano de Deus e da Sua vontade para a nossa vida. A Lectio Divina é deixarmo-nos envolver pelo plano amoroso e libertador de Deus, tomando o Evangelho como alimento da nossa alma”, sublinham.

“A Lectio Divina poderia trazer uma nova primavera espiritual para a Igreja”, sugere Bento XVI. “A leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada pela oração, permite este íntimo diálogo no qual, através da leitura, se escuta Deus que nos fala e, através da oração, responde-se com uma confiada abertura do coração”, afirmou o Papa. “Não há que esquecer que a Palavra de Deus é lâmpada para nossos passos e luz em nosso caminho”, conclui.

Ana Maria Pimenta

A Igreja explica a Lectio Divina

Como fazer?

A Lectio Divina tradicionalmente é uma oração individual, porém, pode ser feita em grupos. O importante é rezar com a Palavra de Deus lembrando o que dizem os bispos católicos no Concílio Vaticano II, relembrando a mais antiga tradição católica, que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o próprio Cristo. Os monges diziam que a Lectio Divina era a sua escada espiritual, mas hoje ela é também a de todo cristão.

Quais os passos?

1) Oração inicial: começa-se, invocando o Espírito Santo, que nos faz conhecer e querer fazer a vontade de Deus.

2) Leitura da Palavra de Deus: lê-se, com calma e atenção, um pequeno trecho da Bíblia. Se for preciso, lê-se o texto quantas vezes forem necessárias.

Procura-se identificar as coisas importantes deste trecho da Bíblia: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as acções. Tentaremos lembrar-nos se conhecemos algum outro trecho que seja parecido com este que se leu. É importante fazer-se tudo isto com calma e atenção, como se estivéssemos a ver a cena. É um momento para conhecer e reconhecer a Boa Nova que esse trecho nos traz!

3) Meditar a Palavra de Deus: é o momento de descobrir os valores e as mensagens espirituais da Palavra de Deus: é hora de saborear a Palavra de Deus e não apenas de estudá-la. Diante de Deus, devemos confrontar este trecho com a nossa vida. Podemos feche os olhos, para ajudar. É preciso concentrarmo-nos!

4) Rezar a Palavra de Deus: toda a boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e a Deus. É um diálogo pessoal! Dizemos a Deus o que vai no nosso coração depois da meditação: se for louvor, louvemos; se for pedido de perdão, peçamos perdão; se for necessidade de maior clareza, roguemos a luz divina; se for cansaço e aridez, supliquemos os dons da fé e da esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a Sua vontade.

5) Contemplar a Palavra: não somos donos desta etapa: é um momento que pertence a Deus e à Sua presença misteriosa. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. E Ele poderá conduzir-nos à contemplação ou apenas dar-nos a tranquilidade de uns momentos de paz e silêncio.

6) Conservar a Palavra de Deus na vida: levamos a Palavra de Deus e o fruto desta oração para a nossa vida. A Palavra de Deus semeada no nosso coração, dará os seus frutos (paz, sorriso, decisão, caridade, bondade, etc…), não importa se 30, 60 ou 100 por um… o importante é que produza, e que o Povo de Deus possa ser alimentado pelos testemunhos de fé, esperança e amor na vivência de um cristianismo sincero.

Origem

Ainda que a leitura orante da Bíblia remonte aos primeiros cristãos, o primeiro a utilizar a expressão Lectio Divina foi Orígenes (aproximadamente 185-254), teólogo, que afirmava que para ler a Bíblia com proveito é necessário fazê-lo com atenção, constância e oração.

Mais adiante, a Lectio Divina converteu-se na coluna vertebral da vida religiosa. As regras monásticas de Pacómio, Agostinho, Basílio e Bento fariam dessa prática, juntamente com o trabalho manual e a liturgia, a tripla base da vida monástica.

A sistematização da Lectio Divina em quatro escalas provém do século XII. Por volta do ano 1150, Guido, um monge, escreveu um livro intitulado «A escada dos monges», onde expunha a teoria dos quatro degraus: a leitura, a meditação, a oração e a contemplação». «Esta é a escada pela qual os monges sobem desde a terra até o céu», afirmava.

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