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Ligação do Algarve à Comunidade Ecuménica de Taizé mantém-se desde 1974

Foto © Jean Denys Robert

A ligação do Algarve à Comunidade Ecuménica de Taizé remonta à realização do Concílio de Jovens que ali teve lugar na década de 70 do século passado. Corria então o ano de 1974 quando o primeiro algarvio peregrinou àquela comunidade no sul da França para participar naquele encontro.

Na altura ainda era quase desconhecida em Portugal a comunidade monástica fundada em 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, pelo falecido irmão Roger Schutz com o propósito de “reunir homens que sentissem a necessidade de juntos fazerem comunhão e viverem em paz uma vida simples, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado aos homens por Jesus Cristo”.

A completar estudos no Seminário de Almada, o seminarista algarvio Vítor Coelho teve ali conhecimento, através da ‘Carta de Taizé’, do Concílio de Jovens que a comunidade estava a organizar desde 1970 e cuja abertura oficial decorreria a 1 de setembro de 1974.

O papa João XXIII tinha convidado os irmãos Roger Schutz e Max Thurian para colaborarem como observadores no Concílio Vaticano II (1962-1965) e tendo interpretado, no rescaldo daquele acontecimento, o eclodir de uma juventude sedenta de respostas, a Comunidade de Taizé decide avançar com a realização de um grande encontro de jovens que cedo ganhou contornos de reunião conciliar com várias etapas.

“O irmão Roger teve a intuição de criar um encontro de jovens onde estes pudessem exprimir livremente aquilo que pensavam da sua fé e da Igreja”, explica Vítor Coelho, natural de Quarteira, ao Folha do Domingo, que, na altura com 22 anos, movido pela curiosidade de conhecer Taizé e atraído pelo desafio de refletir sobre o papel dos jovens cristãos, decide participar no Concílio de Jovens. “Combinei com o padre Alberto Teixeira [sacerdote da Diocese do Algarve], que na altura era meu colega no Seminário, irmos a Taizé nesse ano, só que ele, à última hora, desistiu e eu meti-me sozinho num autocarro e fui de Faro até Lyon. De Lyon segui para Macron e fui lá ter”, lembra Vítor Coelho.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Foi uma experiência maravilhosa. Estavam em Taizé mais de 100 mil jovens. Estavam à espera de 30 mil, mas apareceram perto de 100 mil”, acrescenta, garantindo que aquela vivência o “marcou muito” e lhe deu “outra visão da Igreja”. “Marcou-me de tal maneira que ainda hoje é um ponto de referência na minha relação com Deus e na minha relação com a Igreja”, assegura.

“O que eu lá senti foi que os jovens de todas as culturas, crentes e não crentes, tinham oportunidade de expressar livremente a sua fé. Ninguém os julgava. Aquilo que gostei foi do ambiente de liberdade e de cada jovem poder dizer o que lhe ia na alma, o que pensava da Igreja e de Jesus Cristo. Eu, que estava a estudar Teologia e achava que sabia muito de Deus, foi ali onde senti, verdadeiramente, a presença de Deus e do seu amor”, prosseguiu.

Vítor Coelho lembra que os trabalhos incluíam a partilha bíblica em grupos que se reuniam de manhã, complementados com os momentos de oração. Aquele participante destaca o ambiente de “convívio” e a “simplicidade dos irmãos”. “Os irmãos davam muita importância ao acolhimento e passavam muito tempo connosco, trabalhavam connosco e comiam connosco”, recorda.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Vítor Coelho voltou a Taizé várias vezes, ainda solteiro e mais tarde com a mulher e com os filhos, tendo participado também em mais de uma dezena de Encontros Europeus. Simultaneamente começou a organizar peregrinações à Comunidade Ecuménica a partir de Lisboa, onde ainda viveu seis anos depois de casado. “Todos os anos levávamos um autocarro no verão”, lembra. A prática manteve-se quando regressou ao Algarve, associando-se a outros que já o faziam na diocese. “O Jorge Palmeira [já falecido], de Boliqueime, também organizava autocarros e os irmãos de Taizé vinham cá todos os anos para a realização de encontros e ficavam na casa dele”, conta, lembrando que nessa altura também Laura Silva, de Loulé, se associou à organização das peregrinações à comunidade monástica. “Todos os anos levávamos um autocarro aqui do Algarve”, conta, recordando que uma das mais significativas ocorreu em 1986 por ocasião da visita do papa João Paulo II à comunidade ecuménica francesa.

Um dos jovens que Vítor Coelho levou a Taizé foi Nuno Calão que passou a colaborar na organização das peregrinações algarvias. “O Nuno chegou a passar fins-de-semana na minha casa para combinarmos a organização dos autocarros”, recordou Vítor Coelho. Um dos jovens que Nuno Calão convidou para conhecer Taizé na década de 90 do século passado foi João Cabral, o atual organizador das peregrinações de algarvios e o interlocutor com aquela comunidade.

Após o falecimento de Nuno Calão e Vítor Coelho ter assumido outras responsabilidades na Igreja algarvia que o impediram de prosseguir com a organização das peregrinações a Taizé, a ligação do Algarve àquela comunidade manteve-se através de Laura Silva e, posteriormente, de João Cabral que começou em 1999 a organizar anualmente grupos de peregrinos, o que se mantém até hoje.

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