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Na apresentação da obra, intitulada “Cidade Monumental”, Noélia Serpa considerou-a um “estudo ambicioso e muito conseguido sobre a milenar cidade de Faro”. “Esta obra reflete o profundo conhecimento histórico do nosso autor relativamente a Faro, a Portugal e à Europa e é resultante de muita pesquisa ao longo dos anos”, explicou.

O cónego José Pedro Martins, membro do Cabido da Diocese do Algarve, entidade responsável pela catedral de Faro, evidenciou a publicação como “fruto do seu labor e saber” do autor e destacou-a como “muito válido e sempre oportuno contributo”, particularmente pela “oportunidade da evocação do Arco da Vila, monumento nacional, no segundo centenário da sua construção, verdadeiro ex-libris neoclássico da cidade de Faro, que a visão esclarecida e competente de um bispo e de um arquiteto nos legaram”.

Aquele responsável da Sé de Faro, que a destacou como “espaço de fruição espiritual e cultural”, classificou ainda o livro como “um fundamentado e agradável passeio no tempo, para nos ajudar a situar o nosso hoje”. “Todas estas temáticas são preciosos registos que nos abrem ao conhecimento do muito que Faro tem e que importa não esquecer, estimar e valorizar”, acrescentou o sacerdote.

A diretora regional da Cultura defendeu que as publicações de Teodomiro Neto são “ótimas pistas para investigação e para futuro conhecimento”, sustentando que os estudantes poderão partir destes “trabalhos de fundo e de grande abrangência cronológica e temática” para aprofundar conhecimento. Dália Paulo considerou Teodomiro Neto “uma referência”, “alguém que estuda a cidade, que está atento e que estuda a aspetos cidade que não estão tão bem estudados”. “O dr. Teodomiro Neto vai buscar questões que outros não vão buscar e que podem ser aprofundadas. Em Faro temos a sorte de ter tido sempre, ao longo do tempo, pessoas com este olhar histórico e atento para nos dar perspetivas do futuro”, acrescentou, agradecendo o seu trabalho na recolha e conhecimento da capital algarvia.

Aquela responsável, em sintonia com o cónego José Pedro Martins, regozijou-se com a realização daquela apresentação naquele espaço, lembrando as catedrais como “lugares de cultura” porque “espaços de fruição que marcaram a cidade, não só fisicamente e topograficamente, mas também como lugares de encontro de pessoas, de ideias, de pluralidade e tolerância”.

O autor do livro explicou que o mesmo foi escrito de janeiro a outubro deste ano e que o seu conteúdo tem vindo a ser publicado por Folha do Domingo. “O fim principal desta escrita foi homenagear a Porta de São Tomás de Aquino a que vulgarmente se chama Arco da Vila”, justificou, acrescentando que a publicação, impressa na Tipografia União, pretendeu igualmente homenagear aquela gráfica e os “tipógrafos de Faro e do Algarve”. “Esta tipografia deveria ser um local museológico da imprensa porque foi aqui, em Faro, que em 1487 se publicou o primeiro livro em Portugal”, defendeu, exortando os algarvios ao projeto e reforçando uma ideia que consta da contracapa da obra, na qual Teodomiro Neto sugere que se transforme a centenária da Diocese do Algarve no Museu Samuel Gacon, impressor no Algarve do primeiro livro em Portugal.

A irmã Cristina Novo, da direção da Caritas Diocesana do Algarve, agradeceu o gesto do autor em prescindir dos seus direitos sobre a obra para que a receita na venda da mesma reverta para aquela instituição. “Agradecemos esta sua deferência e a generosidade para com aqueles necessitados que nós ajudamos. É de louvar por ter escolhido a Cáritas, como instituição da Igreja, por acreditar na sua credibilidade e no seu rigor na ação social que dispensamos àqueles vêm ter connosco”, afirmou.

Para além de D. Francisco Gomes de Avelar, a publicação dá destaque a muitas outras figuras marcantes que passaram pela capital e que marcaram a história cultural do Algarve. Teodomiro Neto mergulha no seu trabalho de investigador para se debruçar sobre o Arco da Vila, a Muralha, o Largo da Sé, a Catedral, o Paço Episcopal, o Convento de Nossa Senhora da Assunção (atual Museu Municipal de Faro) e sobre a Porta do Repouso.

Na abordagem aos registos do Algarve cultural do século XX inclui-se a fundação de ‘O Heraldo’, periódico do movimento futurista ou a movimentação de refugiados da Segunda Guerra Mundial que trouxe para Faro figuras como Carlos Porfírio ou Hélène de Beauvoir e que abriu portas as tantas outras que se lhes seguiram.

Teodomiro Neto, autor de 29 publicações editadas em português e francês, refere-se igualmente aos neorealistas Assis Esperança, Leão Penedo, Manuel do Nascimento e Vicente Campinas, ao “abalo artístico” que sacudiu a cidade nos anos 50 com o “renascer do teatro” e à poesia de João Lúcio, de Cândido Guerreiro, de Emiliano da Costa ou de António Ramos Rosa. Na música, o historiador destaca nomes como Maria Campina, Alfredo Mascarenhas, Álvaro Cassuto ou Zeca Afonso, no cinema, Armando Miranda e Carlos Porfírio, e no ensino Almeida Carrapato, Gomes Guerreiro, Maurício Monteiro e José Barão.

O último capítulo da publicação, constituída por 104 páginas, é dedicado aos museus da capital algarvia.

Samuel Mendonça

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