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O líder do Bloco de Esquerda esteve hoje na Universidade do Algarve, em Faro, a participar numa conferência inserida na VIII Semana da Faculdade de Economia e apontou os valores que o país perde com o desemprego, cujo combate, considerou, deveria ser "a grande prioridade" do país.

"O desemprego é o maior problema económico e é também um problema orçamental, porque se há 10 por cento da população, mais até, que está no desemprego, isso quer dizer que perdemos o contributo de 600 mil pessoas, ou seja perde-se por ano cerca de 17 mil milhões de euros do que poderia ser produzido por essas pessoas", afirmou o deputado.

Louçã explicou que, como essas pessoas "também não descontam para a segurança social e, em contrapartida, uma pequena parte delas recebe subsídio de desemprego, todos os anos o Estado, o país, perde 22 mil milhões de euros".

"Durante os quatro anos do PEC são quase 100 mil milhões de euros, é gigantesco. É uma hemorragia extraordinária e é por isso que o Bloco de Esquerda apresentou um programa para a criação de emprego", acrescentou.

Para Louçã, "essa é a prioridade", mas a criação de emprego "não está no PEC apresentado pelo Governo nem nas propostas e exigências que Durão Barroso está agora a fazer".

"Perante estes 100 mil milhões de euros que se perdem com o valor que os desempregados não produzem nestes quatro anos, o PEC diz-nos que o melhor que pode obter é recuperar em quatro anos o desemprego de novembro e dezembro do ano passado. Quase nada. O PEC diz-nos que em 2013 vamos estar tão mal como estamos agora, só que perdemos mais tempo", disse ainda Louçã.

O líder do Bloco de Esquerda considerou que, "se o país perde tanto dinheiro porque não produz e os desempregados vivem uma situação totalmente desesperada, então a prioridade tem que ser criar emprego".

Louçã falou ainda sobre a possibilidade de o Banco de Portugal vir a decretar a falência do Banco Popular Português (BPP), afirmando que "é um gigantesco embuste" o estado ter avançado com 450 milhões de euros e agora não haver garantias para reaver esse dinheiro.

"Não percebo porque é que durante tanto tempo se manteve esta indefinição e até a falta de respeito para com alguns depositantes que tinham que saber o que se passava", disse o líder do Bloco.

Mas Louçã sublinhou que "o grande problema é que o Estado pôs lá uma garantia de 450 milhões de euros e o relatório do Banco de Portugal e do Ministério das Finanças dizia que esse dinheiro estava garantido porque havia ativos no valor de 672 milhões que protegiam esse dinheiro".

"O que sabemos é que isso é tudo um gigantesco embuste. Não há ativos para proteger o dinheiro que o estado pôs. E como é que os portugueses vão aceitar agora que, num país com dificuldades, se possam perder 450 milhões de euros numa operação mal pensada, mal organizada e totalmente deficitária. Não é aceitável", acrescentou.

Louçã disse ainda que, "se isso se concretizar, como os números indicam, o ministro da Finanças (Teixeira dos Santos) o governador do Banco de Portugal (Vítor Constâncio) têm uma responsabilidade perante os portugueses que é muito grave".

Lusa

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