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O conferencista começou por explicar que “a espiritualidade do matrimónio é a espiritualidade daqueles que vivem a vida conjugal segundo o projecto de Deus, à luz do Espírito Santo” e lamentou que “quase nunca” se apresente o matrimónio cristão como “vocação cristã”. “A Igreja, sempre tão preocupada, até por vezes angustiada, com a promoção de vocações à vida sacerdotal e religiosa, preocupa-se menos com a vocação à vida matrimonial, e mesmo quando fala de matrimónio como vocação pressente-se nas entrelinhas uma concepção do matrimónio como «vocação menor»”, criticou.

Mais adiante, e a este propósito, o diácono Luís Galante defendeu, com base no exemplo do primeiro casal beatificado, uma maior atenção prestada à vocação matrimonial como “solução para as outras vocações na Igreja”.

O conferencista lembrou então que “a vida matrimonial é uma autêntica vocação em Jesus Cristo, de tal modo que a espiritualidade conjugal se fundamenta em Jesus Cristo e o modelo da espiritualidade conjugal radica na relação esponsal entre Cristo e a sua Igreja”.

Referindo-se à analogia, presente na Bíblia, entre a aliança matrimonial e a aliança de Deus com a humanidade, sublinhou que, o “amor de Deus pelo seu povo” é como deve ser “o amor do esposo pela sua esposa: imenso, eterno, comprometido, inabalável”. “Se o matrimónio é a imagem do amor de Deus pela humanidade, também assim deve ser o amor do homem e da mulher, por mais dificuldades que apareçam. Deve ser único e indissolúvel”, disse, acrescentando que “se marido e mulher se amassem até quase ao extremo do martírio – como Cristo amou a Igreja – teríamos taxas de divórcio muito mais baixas”.

Luís Galante lembrou ainda que, segundo a Bíblia, cada elemento do casal “deve tratar o cônjuge como trata o próprio corpo”. Neste contexto considerou a violência doméstica como “um disparate” e defendeu uma “relação de mútua submissão de amor e serviço”.

O conferencista, que evidenciou alguns “casais modelo” referenciados na Bíblia, frisou que “o mandamento do amor encontra no matrimónio a sua melhor expressão” e que “o propósito da comunidade diocesana dos actos dos apóstolos, de ter um só coração, uma só alma e tudo em comum, poderá atingir a máxima realização na família”.

Cintando São Paulo, salientou que o apóstolo propôs aos esposos um estilo de relação com as esposas “totalmente inovador e, para a época, revolucionário”, uma “espiritualidade” para a família.

Luís Galante afirmou que “do amor mútuo entre homem e mulher, Deus revela-se e acontece um amor maior, semelhante ao de Cristo com Igreja”, um “amor que se transforma em acontecimento sacramental”. “O matrimónio cristão é chamado a ser representação da misteriosa unidade entre Cristo e a Igreja, entre Deus e o seu povo. Neste quadro espiritual compreende-se a indissolubilidade do matrimónio”, justificou. “Como é que, face a uma imagem tão sublime do matrimónio, a Igreja poderia consentir o divórcio? Seria contrariar toda a teologia que subjaz ao matrimónio”, concluiu, considerando que “quem não escuta a Palavra de Deus só por milagre resistirá aos «temporais» que para aí andam”.

Como exemplo da vivência desta “espiritualidade matrimonial”, Luís Galante referiu então as beatificações de Luigi e Maria Beltrame Quatroqui, em 2001 e de Louis e Zélie Martin, os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, em 2008.

A terminar, concluiu que “para o homem e mulher que se unem em matrimónio cristão as consequências são claras: ambos devem empenhar-se em transfigurar aquilo que ao princípio é um amor de atracção física – eros – no amor de Deus – ágape”.

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