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"Estamos a analisar um esboço de uma intervenção urbanística que me foi entregue no passado sábado [dia 13 março] e que está assinado pela empresa portuguesa Gustavo da Cunha Lda", disse em entrevista à Lusa, Macário Correia.

Recentemente dois concursos de venda do recinto desportivo, localizado no centro da capital algarvia, fracassaram e o clube vive agora num impasse com os funcionários – motoristas, limpeza e administrativos – a demitirem-se em bloco, alegando atrasos no pagamento de salários.

A direção do clube algarvio, por seu turno, apela por apoio à Câmara de Faro no negócio da venda do Estádio de S. Luís para arrecadar verbas e anular dívida de 10 milhões de euros.

"Contamos sinceramente com a ajuda da autarquia na resolução do negócio, porque sem uma intervenção da autarquia de Faro este negocia nunca poderá ser realizado", disse hoje o vice-presidente da direção do clube, José Lopes Martins, em entrevista à Lusa.

Macário Correia salienta que a Câmara de Faro "está sensível" e segue "com muito interesse o que se passa no clube", mas observa que "não é em 15 dias que se encontra a solução para tudo", pois têm de se analisar "questões delicadas que têm a ver com planos de pormenor e índices urbanísticos".

Macário Correia afirma que a "responsabilidade dos atos do Farense são da direção e dos seus associados" e sublinha que a Câmara "mesmo que tivesse dinheiro, por natureza ética, não podia usar dinheiro público para pagar dívidas de uma qualquer coletividade".

Macário Correia declara desconhecer "valores e negócios" envolvidos no plano de intervenção para o estádio do Farense, mas recorda, todavia, que o negócio da venda tem sempre de ser tratado com a autarquia, pois o Estádio de S. Luís é, em "termos jurídicos, da Câmara de Faro".

Para o vice presidente José Lopes Martins o "Farense mesmo sem um tostão tem futuro, mas desde que não tenha dívidas".

O Farense "tem mão de obra, tem capital humano. Falta o resto", reconheceu José Lopes Martins, referindo-se à falta de dinheiro para pagar as dívidas.

Com uma dívida superior a 10 milhões de euros, o Farense está há cerca de um ano a tentar vender o Estádio S. Luís para pagar o que deve e tentar recuperar tempos gloriosos do passado, que incluiu uma participação nas competições europeias, como a Taça UEFA em 1995/96.

A direção do clube estima que na próxima época desportiva já exista alguma solução sobre o futuro do Estádio de S. Luís, mas o "clube é dos sócios e só eles podem decidir em Assembleia-geral. Eles são soberanos", observou.

"Em princípio queremos acabar esta época desportiva, que está próxima do fim, e até lá gostaríamos de já começar a nova época já com algumas certezas".

O clube dedica-se hoje a duas actividades principais desportivas: o futebol com todos os escalões e o basquetebol com mais de 150 atletas.

Tem também algumas modalidades amadoras como a ginástica, capoeira e boxe, mas para o ano "se as coisas correrem bem", a direção do clube quer implementar "uma revolução" nas escolas e escolinhas ao nível de formação, acrescentou aquele responsável.

O Farense foi fundado a 01 de abril de 1910, por um grupo de jovens que descobriu o futebol junto dos marinheiros ingleses, enquanto que o estádio foi fundado em 1922 e na altura foi batizado de "Santo Stadium", em homenagem ao mentor da obra.

Os tempos de glória da equipa de futebol e do estádio registam-se entre 1990 e 2002, mas o clube foi perdendo protagonismo e em 2005 a Sociedade Anónima Desportiva (SAD) chegou mesmo suspender a equipa de futebol.

A equipa principal do Farense posiciona-se esta época em 5.º lugar, da série F, na III Divisão Nacional.

Lusa

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