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Luís Arriaga, porta-voz do projecto de apoio a Gonçalo Amaral, disse à agência Lusa que a verba até agora reunida num espaço de um mês "é manifestamente insuficiente para fazer face aos muitos processos", mas garantiu que a recolha de meios financeiros vai continuar.

"Pretendemos arregimentar simpatias de pessoas que possam ajudar à criação de um fundo de apoio", referiu Luís Arriaga, junto ao Palácio da Justiça de Lisboa, onde se concentraram outros elementos do projecto, antes da primeira audiência da proibição do livro "Maddie – A Verdade da Mentira", da autoria de Gonçalo Amaral.

O julgamento acabou por ser adiado para 12, 13 e 14 de Janeiro devido a doença do advogado de Gonçalo Amaral, António Cabrita, mas antes de se confirmar o adiamento cerca de uma dezena de aderentes ao projecto distribuíram simbolicamente cravos vermelhos.

"Esse é enfoque primordial: sensibilizar a opinião pública para a necessidade de recuperar o sentido do 25 de Abril na liberdade de expressão. Não podemos voltar ao obscurantismo, à rejeição da liberdade de expressão. Todos podem falar, obviamente que não há limites. O limite será o da lei", explicou Luís Arriaga.

O porta-voz defendeu ainda a necessidade "de haver uma nova revolução se porventura o sistema judicial português está mal feito e se está a proteger os ricos ao acesso à Justiça".

Além da presença de elementos do Projecto Justiça Gonçalo Amaral, com "t-shirts" com inscrições "Liberdade de Expressão" e "Censura Nunca Mais", outras pessoas protestaram contra Kate e Gerry McCann no momento em que os dois acederam a prestar declarações aos jornalistas portugueses e britânicos.
Kate e Gerry McCann, pais da criança inglesa desaparecida em 2007 no Algarve, chegaram cerca das 09:00 ao Palácio da Justiça de Lisboa, enquanto Gonçalo Amaral chegou às 09:20.

Antes de entrar no tribunal, Gonçalo Amaral disse aos jornalistas que "Portugal é um país com liberdade de expressão".

Os pais de Madeleine McCann, desaparecida em 03 de Maio de 2007 na Praia da Luz, no Algarve, alegam que o livro e o vídeo comercializado após um documentário exibido na TVI divulgam a tese de Gonçalo Amaral, que consideram insustentável, de que os dois estão envolvidos no desaparecimento da filha.

Por isso, através de requerimento apresentado pela advogada Isabel Duarte, o casal britânico pediu ao tribunal a retirada do mercado, embora com carácter provisório, do livro e do vídeo, que acabou por ser decretada a 09 de Setembro.

A correr trâmites encontra-se também outra acção contra Gonçalo Amaral, com a acusação de declarações consideradas difamatórias, na qual o casal britânico pede uma indemnização de, pelo menos, 1,2 milhões de euros.

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