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Esta festa decorre entre o domingo de Páscoa e os quinze dias posteriores e é dividida em duas fases: a Festa Pequena e a Festa Grande. Num primeiro momento, que coincide com o Domingo de Páscoa, tem lugar a descida do cerro da imagem da Nossa Senhora em direção à igreja de São Francisco onde permanece durante duas semanas. Durante os quinze dias da sua estadia naquela igreja, o programa litúrgico enriquece-se com a celebração de Eucaristias, a recitação de rosários, a realização de concertos e a reflexão de reconhecidos oradores.

Quinze dias depois realiza-se o encerramento com aquela que é considerada a Festa Grande. É o adeus da padroeira à sua terra e o regresso em apoteose, com a subida do andor pelo cerro, até ao Santuário, onde se localiza à sua pequena ermida que, a poente, se ergue sobranceira a toda a cidade. Impondo-se como a maior manifestação de fé a Sul do Tejo, que é simultaneamente a mais significativa expressão de devoção mariana no Algarve, a Festa Grande a Nossa Senhora da Piedade atrai a Loulé uma multidão imensa de pessoas que congestiona por completo a circulação na cidade, oriundos não só de todos os pontos do Algarve, como também de diversas regiões do País.

As celebrações da Festa Grande têm início no sábado à noite (22.15h), com a homenagem à Nossa Senhora da Piedade, no Largo de São Francisco. Já no domingo, pelas 10h, realiza-se uma Eucaristia na igreja de São Francisco, local de onde a imagem da Nossa Senhora parte, em procissão, para o Largo do Monumento ao Engenheiro Duarte Pacheco, pelas 11h.

Junto ao monumento, às 12h, é celebrada uma Eucaristia dirigida às crianças e jovens, seguindo-se o tempo de louvor e saudação à Nossa Senhora da Piedade.

Já na parte da tarde, pelas 16h, o bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, preside à celebração solene da Eucaristia. Após a consagração a Nossa Senhora, tem início a grande procissão que percorrerá as principais ruas da cidade. Os peregrinos concentram-se depois no Largo de São Francisco para o encerramento da procissão litúrgica. Mas o momento mais aguardado desta Festa Grande é a subida final, fortemente simbólica, de regresso ao santuário situado no alto da colina que acontece às 18h00.

Os oito homens carregam o andor, vestidos de calças e opas brancas, sobem o íngreme cerro ao ritmo da música e com a população a exibir-se em manifestações diversas mas verdadeiramente sentidas. Em tempos passados, os homens-do-andor eram considerados seres com capacidades sobre-humanas. Ao esforço dos homens que transportam a Virgem Maria, alia-se a força espiritual dos muitos fiéis que, em vivas a Nossa Senhora, acenando lenços, ou em passo vivo e na cadência musicada dos homens da banda, vão «empurrando», no calor da fé e calçada acima, o pesado andor da padroeira.

Já no santuário mariano a pregação estará este ano a cargo do padre Manuel António do Rosário, sacerdote da vizinha diocese de Beja.

As festividades de Nossa Senhora da Piedade constituem uma tradição com provável origem em 1553, data oficial da edificação da capela que lhe é dedicada.

Samuel Mendonça
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