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O deputado da Assembleia Nacional, Jorge Correia. O Professor Vitorino Nemésio e o Jornalista e director do semanário de Faro, “Correio do Sul”, Mário Lyster Franco, publicaram, no citado semanário de Faro, as suas opiniões sobre a figura do distinto algarvio MANUEL TEIXEIRA GOMES. Opinião do deputado da Assembleia Nacional, Jorge Correia, natural de Tavira, tem na sua publicação, admiração e respeito pelo algarvio que foi Presidente da República, anos 20, século XX. As suas breves palavras (do citador), no semanário de Faro “Correio do Sul”. São palavras de admiração e de respeito ao que foi “Presidente da República Portuguesa”, de 5 de Outubro de 1923. E pelo admirado escritor. Dois anos depois, Dezembro de 1925, o Presidente da República Portuguesa parte para o seu refúgio, em Argélia, fixando-se em Bougie, numa tranquilidade de produção literária, até à morte, a 18 de Outubro de 1941. A 18 de Dezembro de 1950, os restos mortais da figura Ilustre, regressa à sua cidade natural, de Portimão.

O Semanário “Correio do Sul”, um semanário fundado 17/02/1920, onde passaram todas as correntes políticas, desde o republicanismo ao sistema da União Nacional. Digamos que foi um semanário das correntes políticas algarvias. Comecemos pelo último director, Mário Lyster Franco: advogado, jornalista, cronistas. Homem de excelente cultura, que foi aguentando o semanário “sustentado” pelo regime nacionalista. No entanto, Mário Lyster Franco, foi abrindo a “porta” a todas as vozes culturais da região. Comecemos pelo não Algarvio, doutor Vitorino Nemésio, professor universitário e de muitas cautelas no ensinar e no publicar. Admirou o Algarvio que foi embaixador em Londres/Madrid… e, sobretudo escritor.

A publicação de Nemésio no “Correio do Sul”, vem a 9/12/1968. Mário Lyster Franco, se bem que militante da União Nacional, sempre admirou o Homem de Portimão, e todos, nesses valores, da mesma admiração. Assim elogia Lyster Franco, como director do “Correio do Sul”, o seu amigo, Vitorino Nemésio, que afirma, na sua publicação: “Ressuscitando uma secção que, pelo seu saber intelectual e pelas peças primorosas que nela registamos, punha sempre uma nota de beleza nas colunas deste jornal. Arquivamos hoje, o artigo, há meses publicado no “Diário Popular”, em que o ilustre escritor sr. Prof. Doutor Vitorino Nemésio, a propósito de uma sua então recente visita à nossa Província, nos fala do Algarve e do prosador admirável que nele teve o seu berço”. Assim: “Com o pé no estribo para o Algarve, retomo antigas notas e impressões sobre M. T. Gomes, o insigne prosador, diplomata e homem do mundo (reparo que Nemésio não cita o que foi PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA. (É que todas as cautelas eram impostas. O homem chefe da União Nacional, nunca admitiu tal figura política, o M.T.G, o cidadão do Algarve), foi aposição de uma maioria, a salvaguarda dos funcionários do Estado-Novo. É um longo artigo de elogio ao notável escritor/político, sem referir a sua posição do Presidente Republicano. Então, vamos ao breve excerto que Nemésio fez republicar no “Correio do Sul”: “A RONDA DOS PRÍNCIPES, nesse nº de 9/12/1968, em síntese: “Republicano de antes da República, uma riqueza sem insolência e um dandismo sem mau gosto fizeram dele, naturalmente, um dos diplomatas natos do novo regime, que em breve lhe ofereceu a delicada e difícil herança do marquês de Soveral: a Legação de Portugal em Londres. Nos seus variados exílios – alguns voluntários, outros por pressão de circunstâncias. Teixeira Gomes enriqueceu viajando e vendo, o seu gosto e a sua fina observação natural. A sua carreira de escritor tornou-se assim a obra de um grande diletante artista discreto e impenitente que sacrificava de bom grado a sua independência e a sua e a sua regrada e elegante rebelião aos deveres de plenipotenciário, e logo aos de Chefe de Estado, para os retomar com gosto num longo e voluntário exílio, em terras de bom clima e de civilização ao mesmo tempo arcaico e cosmopolita: Bougie. Foi um longo e escolhido envelhecer no Algarve de Além que Teixeira Gomes, homem do Algarve de Aquém, pôs em ordem as suas memórias de homem público e as suas impressões de viajante e de artista, acrescentando a livros tão apurados de estilo e de gosto como as da sua mocidade. “Inventário de Junho”, “Agosto Azul”, obras de requintada forma e de variada leitura, que a devoção de Agostinho Fernandes tem feito primorosamente reeditar em “Obras Completas”. O Cepticismo ameno, hedonismo benévolo, amoralismo epicúreo.”

A outra publicação do Deputado da Assembleia Nacional, publicada FOLHA DO DOMINGO/ 18/02/1971, da responsabilidade de Jorge Correia, um algarvio de Tavira, vem em título: “DUAS FIGURAS DO ALGARVE: O Bispo Marcelino Franco – Bispo do Algarve e Manuel Teixeira Gomes.

“SENHOR PRESIDENTE, SENHORES DEPUTADOS”

“Quem pela primeira vez visite esta faixa do País para aquém da cordilheira constituída pelo Caldeirão e Monchique, certamente se impressionará de encontrar um território pequeno que sob o nome de Algarve contém uma diversidade imensa de paisagens, clima, gente e falas. A própria corografia o subdivide em Barlavento e Sotavento com características climáticas e ecológicas bem diferentes. Esta província célebre hoje: A Atlântica e Mediterrânica, em todo o mundo como das mais apetecíveis estâncias de férias. Pululam os contemplativos, os poetas, os bailadores, os trovadores jocosos dos seus inconfundíveis bailes mandados. Hoje, Senhor Presidente e Senhores Deputados, ergo a minha voz modesta e despretensiosa, para distinguir duas figuras singulares que, por caminhos inteiramente diferentes atingiram o zénite da sociedade portuguesa. A primeira dessas figuras, a que venho a referir-me, vai o Algarve inteiro prestar condigna consagração, no dia 17 de Abril, data que faz um século, que nasceu em Tavira D. Marcelino António Maria Franco, que viria a ser sagrado Bispo da sua própria Diocese. Justo é que os algarvios e de entre estes com particular razão os tavirenses quisessem perpetuar no bronze e para todo o sempre o Pastor que em vida lhes deu o mais dignificante exemplo de amor e humildade”.

“A segunda personagem que aqui recordo, se não exala o perfume de santidade que sublima, glorifica-a a auréola de mártir imolado em holocausto à República que tanto amou e serviu com intransigente aprumo e fidelidade. Desta minha tribuna quero ainda cumprimentar e felicitar as louváveis iniciativas particulares pró-monumento a Teixeira Gomes e fazer veemente apelo à Câmara de Portimão que tome nas suas mãos o facho duma inquietação que anda na boca e no coração de todos os algarvios e certamente tem o aplauso de todo o País e até do próprio Governo.” Manuel Teixeira Gomes bem merece que a posteridade o faça erguer à altura da sua opulenta personalidade. Conforme o Deputado solicitou, a Estátua do Bispo do Algarve – Marcelino Franco, foi erguida e inaugurada, em Tavira, terra da sua naturalidade, em 1971. A estátua, pedida, pelo Deputado Algarvio, em homenagem ao que foi Presidente da República de Portugal, Manuel Teixeira Gomes, só foi erguida, em Portimão, em 2006, num busto, numa escultura de Fernando Conduto.

É certo que o Deputado da Assembleia Nacional, o natural de Tavira, Deputado Jorge Correia, recebeu todos os amargos da política do tempo. Era, e sempre foi, assim que a ditadura entendia.

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