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“Portugal não tem uma imagem turística no estrangeiro o que nos trás um problema de posicionamento com outros mercados, sobretudo o mediterrânico” disse à Lusa António Carneiro, presidente do Pólo de Turismo do Oeste.

“Há 30 ou 40 anos que temos uns placards no metro em Londres com uma fotografia da praia da Rocha e vendeu-se muito essa imagem mediterrânica, mas isso não corresponde ao resto do país”, concretizou António Carneiro, apontando o dedo à “contradição” que disse dificultar a concorrência com outros destinos turísticos.

“Somos um país atlântico, de cultura atlântica, mas em que o produto base é um produto mediterrânico, porque foi no Algarve que se instalou 70 por cento da nossa oferta e que colocou Portugal continental no mapa turístico em que já estava a Madeira” explica.

A criação de uma “marca Portugal” que promova o país como destino turístico tem sido tentada nas últimas décadas, mas acaba por esbarrar com “a falta de aceitação do Algarve que não quer que se desviem as atenções das suas praias”, lamentou.

Um posicionamento que António Carneiro entendeu ser “muito problemático para o país” que deveria estar ligado ao eixo atlântico (com destinos como a Bretanha, Galiza, Astúrias e País Basco) e que assim tem que competir com países como Espanha, Tunísia, Marrocos e Turquia que “oferecem preços com que os nossos operadores não conseguem competir”.

António Carneiro falava à margem do IV Congresso Internacional de Turismo Leiria e Oeste onde Ruben Lois Gonzalez, da Universidade de Santiago de Compostela assinalou a diferença entre Portugal e Espanha ao nível da imagem turística.

“Espanha é um território dividido, mas com uma marca nacional muito forte e Portugal é um país coeso mas com uma imagem confusa, acabando por se perder nas marcas Algarve e Madeira, que não correspondem ao que é o país” disse à Lusa o orador.

A solução, diz Ruben Lois Gonzalez, “ é fácil: basta arranjar uma frase curta que resuma Portugal em três ou quatro elementos básicos como a cultura, vinho e gastronomia, e paisagens”, conclui.

A imagem e sustentabilidade dos destinos turísticos vai continuar a ser debatida em Peniche, na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, onde até ao final do dia de quinta feira o Congresso reúne especialistas de vários países na área do turismo.

Lusa

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