Pub

Praia_faroA praia de Faro vai acolher no próximo domingo uma marcha-corrida contra a exploração de petróleo no Algarve, explicou hoje à Lusa um dos membros da Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP).

“O objetivo é mais uma vez procurar mobilizar e sensibilizar as pessoas para um problema com que o Algarve se vai deparar”, explicou João Eduardo Martins, observando que a primeira intervenção de extração de hidrocarbonetos na costa algarvia está agendada para outubro deste ano.

A plataforma quer esclarecimentos sobre todo o processo, perceber se está em causa a extração de petróleo ou de gás natural e conhecer os termos acordados nos contratos com as empresas de exploração, os estudos realizados sobre o impacto desta atividade na região -de alta intensidade sísmica – em termos ambientais, turísticos e económicos e as contrapartidas para o país.

“Como o contrato está estabelecido, a ideia com que ficamos é que os lucros vão ser para os privados e os riscos vão ser públicos”, frisou João Eduardo Martins, que questionou: “Se o Estado português e os cidadãos pouco ou nada ganham com este negócio, como é que é possível avançar para uma ideia desta dimensão?”.

A marcha-corrida tem início às 16:00 na entrada da praia de Faro, mas a organização preparou ainda um percurso para caiaque em que o ponto de partida é o posto náutico das docas de Faro pelas 14:30.

No final, os participantes vão reunir-se para um convívio onde será debatida a necessidade de fazer do Algarve uma região sustentável do ponto de vista ambiental, refere a PALP em comunicado.

Além da marcha-corrida deste domingo, a PALP está a desafiar os deputados eleitos pelo Algarve a participar num debate sobre esta questão e está a pedir reuniões com as 16 autarquias algarvias.

“Estranhamos muito o silêncio. Estamos a falar de uma coisa que afeta toda a região e os autarcas estão num silêncio que nos espanta”, comentou o representante da PALP.

A PALP foi constituída em março deste ano por várias associações regionais e nacionais ligadas à proteção ambiental, como é o caso da Quercus, da Almargem, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e da Liga para a Proteção da Natureza (LPN).

A Repsol é uma das empresas que assinaram com o Estado Português um contrato para prospeção e exploração de gás natural e petróleo no Algarve e o presidente da multinacional espanhola, Antonio Brufau, afirmou em julho de 2014 que a companhia iria iniciar a perfuração e prospeção de gás natural no Algarve este ano.

Pub