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Martín Carbajo disse ao clero do sul que a forma de comunicar da Igreja “tem de ser diferente”

Foto © Samuel Mendonça

O franciscano Martín Carbajo disse ao clero do sul do país que a forma de comunicar da Igreja “tem de ser diferente”, sublinhando que importa comunicar para “criar comunidade e comunhão”.

Na atualização do clero das dioceses do Algarve, Beja, Évora e Setúbal, que decorreu desde segunda-feira até ontem no hotel Jupiter em Portimão, o especialista na área da ética da comunicação social salientou que “a Igreja deve oferecer uma informação atualizada, bem elaborada e concreta”, lembrando que “o profissionalismo para informar é fundamental”.

Na segunda conferência que proferiu sobre o tema “Notas para um projecto nacional ou regional de potenciação dos mass media ao serviço da evangelização”, o docente da Pontifícia Universidade Antonianum (Roma), lembrou ainda que, “nos últimos 20 anos, o tipo de comunicação mudou”. “Neste contexto mediático secularizado, não podemos manter-nos em espera passiva. Faz falta passar de uma pastoral de mera conservação a uma pastoral decididamente missionária, propositiva, em constante atitude de saída”, afirmou.

Neste sentido, evidenciou que “a mensagem cristã tem que ser sempre uma boa notícia, de modo positivo e atraente”, advertindo que a “comunicação tem de ser misericordiosa, direta e cordial”. “Num contexto social em que a internet e as redes sociais se incluem num tipo de comunicação horizontal e interativa, as pessoas esperam uma proximidade real e cordial que permita partilhar os prazeres e as esperanças como diz a Gaudium et Spes”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça

“Estamos numa nova cultura, a cultura digital. Uma cultura sobretudo horizontal e interativa. A nossa evangelização tem de favorecer este tipo de comunicação, implicando os fiéis como parte ativa”, acrescentou o religioso, explicando assim que “mais do que os conteúdos, interessam as relações”. “Temos que privilegiar muito mais o testemunho nos nossos projetos. O conceito de comunicação tem de mudar. Não se trata da transmissão fiel de conteúdos, mas, sobretudo, entrar em contacto”, prosseguiu.

Não obstante os contrastes entre a Igreja e os meios de comunicação social que enumerou, lembrou haver “possibilidades de enriquecimento mútuo”. “A cultura do memorial que a Igreja assume necessita da cultura mediática da notícia fugaz, circunstancial”, apontou como exemplo, acrescentando que “a comunicação eclesial pode aprender dos meios de comunicação social a ser mais direta e agradável”.

Aos cerca de 120 bispos, padres e diáconos presentes deixou um apelo: “não tenham medo da tecnologia”. A atualização do clero das dioceses do sul, que ontem terminou, contou com cerca de 120 participantes, incluindo, para além dos bispos das quatro dioceses, o bispo emérito da Diocese de Singüenza-Guadalajara (Espanha), D. José Sánchez González, que também esteve presente.

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