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A Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Santo António foi escolhida como área piloto a nível nacional para integrar o projeto europeu “INHERIT”, destinado a valorizar e proteger áreas naturais costeiras do Mediterrâneo, foi anunciado na terça-feira.

O Projeto europeu “INHERIT – Estratégias Turísticas Sustentáveis para Conservar e Valorizar o Património Natural Mediterrânico e Marítimo” é cofinanciado pelo programa “Interreg Med”, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), tem 15 parceiros em 10 países e conta com a Associação de Desenvolvimento do Património de Mértola (ADPM) como entidade gestora em Portugal, contextualizou Fernanda Silva, técnica da associação responsável pelo projeto.

A ADPM escolheu a mata de Vila Real de Santo António para ser a primeira área natural protegida portuguesa a poder receber o selo de “área INEHERITURA”, em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e a Associação de Desenvolvimento do Baixo Guadiana (Odiana), que tem trabalhado na criação de percursos pedestres, de cicloturismo e de observação de aves para preservar e desenvolver a área dos três municípios que a integram – Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António, acrescentou Fernanda Silva.

A técnica da ADPM explicou à Lusa que o selo é atribuído por uma comissão técnica do Projeto “INHERIT” e destina-se a “promover zonas em que a proteção do património natural representa uma mais-valia para desenvolver atividades turísticas sustentáveis”, como acontece na mata da localidade algarvia, criada há cerca de um século para conter o avanço das dunas e criar uma barreira entre a costa e a zona urbana e atualmente utilizada por turistas e desportistas de elite para a prática de treinos e atividades físicas ou de lazer.

“O projeto INHERIT é um programa que tem muitas áreas de intervenção, mas que no Mediterrâneo Europeu foca muito o turismo e tem como objetivo conciliar e valorizar as questões referentes ao património natural e à sustentabilidade nos destinos turísticos europeus costeiros e marítimos do Mediterrâneo”, afirmou Fernanda Silva à agência Lusa, quantificando em 100 mil euros a verba disponível para a totalidade do projeto.

A mesma fonte definiu como metas a “definição de estratégias para reduzir o impacto negativo que o turismo tem sobre estas áreas” e que “coincidem muitas vezes com zonas protegidas e de parque natural”, sofrendo “grande impacto do turismo de massa”, sobretudo no verão.

A associação criada em Mértola há 40 anos é das “mais antigas em Portugal em termos de associações de desenvolvimento” e foi escolhida pela coordenadora europeia grega do projeto para fazer a gestão em Portugal devido à sua experiência, que começou com o património cultural, alargou-se a outras vertentes, como a natural ou a turística, e expandiu-se para outras zonas do país e para países como Moçambique ou Cabo Verde, salientou.

“E sempre com a mesma ótica, a de que poderá e deve ser o património e a identidade cultural os motores de desenvolvimento dos territórios e da economia”, realçou.

A mata de Vila Real de Santo António é das três áreas protegidas do Baixo Guadiana – com os Parques Naturais do Vale do Guadiana e do Sapal de Castro Marim – a que “tem tido menos intervenção” e para a qual estão disponíveis 10 mil euros para “instalar sinaléticas e placas interpretativas do património”, disse ainda a técnica da ADPM, considerando que é um investimento limitado, mas que abre portas à distinção com o selo “INHERITURA” e este pode depois atrair mais investimento destinado à proteção e sustentabilidade da área verde.

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