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A campanha anual de citrinos no Algarve representa uma produção que ronda as 200 mil toneladas, mas este ano o mau tempo já causou a perda de pelo menos 50 mil, o que representa um prejuízo estimado em 10 milhões de euros.

A estas perdas acrescem prejuízos na ordem dos 2 milhões de euros no que respeita à destruição de estufas e instalações de arrumos e armazenagens em explorações agrícolas, de acordo com o levantamento efectuado.

"Nas zonas onde caiu granizo, ficou mesmo prejudicado o potencial produtivo das árvores para o próximo ano", disse à Lusa Eduardo Ângelo, da União de Produtores Horto-Frutícolas do Algarve (Uniprofrutal).

Segundo aquele responsável, alguns pomares terão mesmo que ser sujeitos a podas intensas, pois além dos frutos também as árvores ficaram danificadas, o que representa um investimento suplementar para os produtores.

As perdas verificam-se sobretudo nas zonas onde houve queda de granizo – Faro, Olhão e Tavira -, mas também onde houve geadas, mais na zona do Barlavento, embora a chuva e vento intensos se tenha registado em toda a região.

Eduardo Ângelo classifica a situação como sendo "anormal", sobretudo pelo facto de o mau tempo se ter prolongado por tantos dias seguidos, afirmando não ter memória de danos tão graves e generalizados.

Mostrando-se satisfeito com o previsto alargamento das medidas que serão aplicadas ao Oeste à região do Algarve, aquele responsável apela aos citricultores para que reportem os seus danos às autoridades.

"É preciso que os produtores afectados se dirijam aos serviços de agricultura mais próximos para dar conta dos prejuízos no sentido de se fazer um rigoroso levantamento dos estragos", disse.

Segundo Eduardo Ângelo, o mau tempo demonstrou mais uma vez que os seguros agrícolas "não funcionam na prática", o que leva a defender que seja implementado um verdadeiro sistema nacional de seguros agrícolas.

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