Pub

O Governo aprovou a 09 de setembro uma resolução que fixa a cobrança de portagens nas autoestradas Sem Custos para o Utilizador (SCUT) no Interior Norte, Beira Interior, Litoral e Alta e Algarve, conhecida como a Via do Infante, até 15 de abril de 2011.

Alguns dos médicos andaluzes que se deslocam diariamente de Huelva, Sevilha ou outras localidades fronteiriças espanholas para o Algarve admitem deixar de dar consultas na região por causa do pagamento de portagens.

Em declarações à Lusa, Pinto Gomez, especialista em Medicina Familiar e a exercer funções de médico no Hospital do Barlavento Algarvio em Portimão e Lagos ainda não está convencido de que as portagens no Algarve vão mesmo ser uma realidade até 15 de abril de 2011 mas, caso se concretize, admite “repensar” a vinda para o Algarve.

“Se a situação económica vai mudar, nomeadamente com a introdução de portagens na Via Infante vamos ter de repensar a nossa situação em Portugal, como é óbvio. Eu falo por mim, se o Governo português colocar as portagens vou repensar a situação de ter que continuar a trabalhar no Algarve”, declarou o médico andaluz.

A morar em Huelva, Espanha, e a vir trabalhar alguns dias por semana para Portimão e Lagos, Pinto Gomez admite ter de redefinir a "situação laboral" com a introdução de portagens, tal como outros 15 médicos espanhóis que conhece em situação idêntica à dele, ou seja que viajam de Espanha até Lagos, Portimão ou Albufeira para dar consultas.

Já o especialista em Medicina Geral de Familiar Fernando Tejada diz que as portagens são “mais um gasto” e caso tivesse de se deslocar ao Algarve diariamente teria de deixar de exercer.

No Hospital Central de Faro há 34 médicos espanhóis a fazerem semanalmente horários parciais e percorrem a Via Infante para trabalhar no Algarve, disse à Lusa fonte das Relações Públicas daquela unidade hospitalar.

No Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (CHBA), há entre 15 a 20 médicos espanhóis a percorrer a Via Infante para dar consultas na região, adiantou a assessoria de imprensa.

As principais especialidades dos médicos espanhóis que vêm trabalhar para o Algarve são Medicina Interna e Familiar, mas há também muitos a fazer o Serviço de Urgência.

Em 2008, e segundo a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve existiam 123 médicos espanhóis, mas 11 médicos abandonaram a área hospitalar por causa de uma maior oferta de emprego e melhores salários em Espanha.

Além dos médicos na área hospitalar, a ARS disse hoje à Lusa que existem ainda mais atualmente 30 médicos espanhóis nos Centros de Saúde algarvios.

O Algarve é considerado uma das regiões do país com mais carências de profissionais de saúde.Segundo o presidente do Conselho Distrital de Faro da Ordem dos Médicos, Martins dos Santos, numa recente entrevista ao jornal “O Algarve”, “não há nenhuma região do país onde os cuidados de saúde que estão disponíveis à população sejam tão míseros em determinadas alturas do ano, como acontece no Algarve no verão”.

Lusa

Pub