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Num requerimento entregue na Assembleia da República, o parlamentar do PSD, eleito pelo círculo eleitoral de Faro, quer saber através do Ministério da Economia "em que situação é que se encontram os pedidos de atribuição dos direitos de prospeção e pesquisa" daquele mineral para as localidades de Corte Grande e Carapitotas, no concelho de Monchique.

O deputado social-democrata questiona aquele ministério sobre "se tem consciência da negatividade dos impactes" que o licenciamento poderá ocasionar, na qualidade dos recursos hídricos, do ar, agricultura, floresta e nos habitats protegidos.

No documento enviado à Lusa, Mendes Bota lembrou que as zonas de Corte Grande e das Carapitotas encontram-se protegidas pela REN, RAN e Rede Natura 2000, com "toda uma panóplia de riquezas animais, geológicas e florestais", de cujo equilíbrio dependem os habitantes, proprietários, turismo e atividades comerciais.

"Por ali passa a via Algarviana, uma extensa rota de trilhos e caminhadas, que se estende desde Sagres ao extremo oriental algarvio, importante pólo de atração turística", sustentou Mendes Bota.

Além disso, acrescenta, "a área de Corte Grande foi escolhida para a reintrodução do Lince Ibérico, um processo complexo e sensível, existindo também vários ninhos de Águia Bonelli".

Mendes Bota alega que a especificidade paisagística daquele local "é única no panorama nacional, e por isso mesmo enquadra-se perfeitamente na Convenção Europeia da Paisagem, a qual o Governo português teve a lucidez de assinar em 2000, e que proíbe a abertura de minas e pedreiras em áreas protegidas.

"É, portanto, com espanto, que se fica a saber que tudo isto e muito mais poderá estar agora ameaçado caso o Governo decida dar seguimento aos pedidos efectuados para a prospecção de feldspato nessas áreas", concluiu o parlamentar.

Lusa

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