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Todos os foliões com quem a agência Lusa falou esta tarde junto ao cortejo que percorria a Avenida José da Costa Mealha concordavam que, este ano, o maior entrudo do Algarve tem menos gente do que noutros anos – incluíndo em 2011, ano em que choveu – mas a alegria e vontade de participar permaneceu no desfile.

"Tem muito menos gente, o ano passado havia bichas nas entradas, afiança António Cruz, 46 anos, bancário, que reside em Loures mas há muitos anos ruma ao sul do país por esta altura, com a mulher e a descendência que agora já vai em quatro crianças.

Jura que os quatro dias de férias que tirou, que somadas ao feriado e aos quatro dias de fim de semana dão direito a 9 dias de descanso, são apenas um pretexto para vir ao Algarve em busca de ventos mais quentes, mas admite que, com o fim da tolerância de ponto na função pública, muitos tenham deixado de fazer o mesmo.

Também de mini-férias, e a gozar os ares do Algarve com os pais, diverte-se a funcionária pública Sofia Carmo, 35 anos, a quem Isaltino de Morais concedeu tolerância de ponto como trabalhadora da Câmara de Oeiras.

Apesar de se reconhecer privilegiada na sua micro-estrutura autárquica, Sofia não acha mal que o Governo tenha recusado fazer o mesmo a nível nacional, porque "é preciso dar um sinal à sociedade", opinião em que é seguida pelos pais, Júlio e Mira, que todos os anos aproveitam o entrudo para dar um salto ao Algarve, mesmo sem aqui terem casa própria.

Já Marcelo Farinha, 25 anos, critica a decisão do Governo apesar de, como trabalhador de um supermercado, não ser afetado por ela.

"Ainda ontem [segunda-feira] a cidade estava parada e nesta altura costuma estar cheia de turistas, mesmo nos dias em que não há cortejo", afirma o jovem que só veio ao carnaval porque o seu dia de folga é a terça-feira.

Também críticos da decisão do Governo, Paulo Matos, 44 anos, e Ana Garcia, 45, recordam que não foi só essa decisão que afastou as pessoas do carnaval este ano.

"É uma grande despesa para as famílias e agora ainda temos mais as portagens", evoca Paulo, que vive com a mulher em Loulé e este ano vê menos forasteiros na cidade.

Mais uma vez este ano a sátira política marcou forte presença nos 15 carros alegóricos do cortejo, com as figuras de Passos Coelho, José Sócrates, Angela Merkel e André Sarkozy a ocuparem lugares de destaque nos atrelados.

Reivindicando o título de mais antigo Carnaval do país, com 106 anos, os festejos contam este ano com um orçamento de 250 mil euros, 100 mil euros abaixo do ano passado.

Pela primeira vez, a organização decidiu retirar a segunda-feira do calendário dos festejos e colocar o sábado, mas a grande prova de força – à semelhança de outros carnavais do país – será na terça-feira, dia em que os funcionários públicos não terão a habitual tolerância de ponto.

Fonte da Câmara de Loulé disse à Lusa que no sábado, primeiro dia de festejos, a organização vendeu 11 mil bilhetes e no domingo vendeu 25 mil, números que a mesma fonte considerou "para já ao nível de 2010", ano em que se venderam, no total, 54 mil ingressos.

Cada bilhete custa dois euros.

Lusa

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