Neste 14 de julho, recordo a minha ordenação sacerdotal, o Bispo que me ordenou, D. Júlio Tavares Rebimbas, que foi daqui do Algarve para o Porto, todos os que me acompanharam, particularmente os meus pais e o meu irmão sacerdote, que hoje só podem presenciar espiritualmente este dom da minha nomeação para esta nossa diocese do Algarve.
Invoco de Deus uma chuva abundante de Bênçãos para todos os que aqui nasceram, aqui residem e os que adotaram o Algarve como pertença.
Convosco, sem vos conhecer também já me sinto algarvio, ajudai-me a ser um dos vossos.
Agradeço a confiança do Santo Padre, o Papa Leão XIV, para mais uma missão em serviço da Igreja e de todos a quem terei a oportunidade de acompanhar e ser acompanhado. Aos que me antecederam, D. Manuel Quintas, todas as estruturas, todas as entidades que trabalham para o bem comum, todo o povo de Deus, os que se destacam com mais projeção, os que ocupam lugares mais escondidos, os mais próximos e os mais distantes, obrigado pelo percurso que fizestes e do qual também quero participar, sacerdotes, diáconos, religiosos/as, seminaristas, leigos, os mais esquecidos, doentes, idosos e isolados, jovens, crianças, comunicação social, outras confissões religiosas. A todos agradeço o testemunho discreto, mas fecundo, de uma fé vivida na família, nas paróquias, nas escolas, nas instituições de solidariedade e em tantos lugares onde a caridade se torna visível.
A diocese do Algarve sempre se destacou pela pluralidade e pela comunhão. Manifesto a minha alegria em partilhar e gastar a vida convosco a partir de hoje, nos cansaços e nas energias, nos fracassos e nos sucessos, nos sonhos e nos projetos.
Como aconteceu com Jesus Cristo, que nunca se sentou à secretária para escrever o guião da sua vida, vamos todos escutar o Pai e descobrir em conjunto, com a ação do Espírito Santo, a sua vontade a respeito da diocese do Algarve, da sua igreja e de muitos que não estando rotulados com esta linguagem, também levam por diante o mesmo programa “ser felizes e lutar pela felicidade dos outros”, a partir de uma humanidade saudável, que promove vínculos e laços que nos fazem sentir em família, onde nos sentimos amados, perdoados e irmãos em permanente crescimento.
“Vim de longe, de muito longe, o que eu andei para aqui chegar. Eu vou para longe, muito longe, onde nos vamos encontrar, com o que temos para nos dar” (José Mário Branco, 1982).
Rezai por mim para que possa corresponder ao desafio e à missão que a Igreja me pede. Conto convosco, com todos. Contai comigo, com a minha fragilidade, a minha paixão e oração.
Caminhemos juntos, unidos ao sucessor de Pedro e em comunhão com toda a Igreja, para que Cristo seja cada vez mais conhecido, amado e anunciado.
Rezai por mim, eu rezo por vós.
14 de julho de 2026
† D. Vitorino Soares










