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No documento, há pouco divulgado e que acaba de redigir, sob o tema “Que a vossa caridade seja sincera, detestando o mal e aderindo ao bem” (Rm 12,9), D. Manuel Quintas destaca o tempo litúrgico que se inicia nesta Quarta-feira de Cinzas como “único no seu apelo a uma conversão sincera à verdade do amor”.

O prelado lembra que “a crise que presentemente vivemos, impõe-nos o cultivo e a maturação duma consciência solidária, que nos desperte para responder ou procurar respostas para as consequências que se fazem sentir tão drasticamente entre nós, pelo facto de sermos o distrito com a mais elevada taxa de desemprego”.

O bispo diocesano lança o apelo a uma “mudança pessoal de atitudes e comportamentos”, a “contribuir para que o mundo, ao perto e ao longe, seja mais humano, mais justo e mais fraterno, a enveredar e a progredir no caminho do «bem, da verdade, do belo»” e lembra que “a consciência é o núcleo mais secreto do ser humano e o santuário onde se encontra a sós com Deus, cuja voz ressoa no seu íntimo”. “Pela fidelidade a esta voz, os cristãos unem-se aos outros homens, na procura da verdade e na resposta aos problemas morais que surgem na vida individual e na comunidade social”, acrescenta.

D. Manuel Quintas lembra ainda que o “caminho de conversão quaresmal constitui o tempo, por excelência, para medir a verdade da nossa condição de discípulos de Cristo” e sublinha que “a partilha de bens, o jejum e a oração, como caminho e meios de conversão recomendados neste tempo quaresmal, revelar-se-ão tanto mais eficazes quanto mais nos conduzirem a um encontro pessoal com Cristo Ressuscitado”. “Ama-se tanto mais eficazmente o próximo, quanto mais se trabalha em prol de um bem comum que dê resposta também às suas necessidades reais. Todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na polis”, acrescenta o bispo do Algarve, citando a encíclica papal “Caritas in Veritate”.

O prelado lembra ainda que “a partilha dos bens e recursos contribui para o autêntico desenvolvimento” “pela força do amor que vence o mal com o bem”. “Este amor, verdadeiro, não o produzimos nós, mas é no-lo oferecido. A oração é a sua fonte”, constata D. Manuel Quintas, considerando que “a promoção do bem comum e do desenvolvimento precisa de «cristãos com os braços levantados para Deus em atitude de oração»”.

O bispo diocesano relembra que o contributo penitencial desta Quaresma reverte para o Fundo Diocesano Social, “criado com o objetivo de responder a situações de necessidade, causadas pela crise, e dando prioridade às situações de carência mais graves entre os desempregados”. “Os nossos padres, por indicação do Conselho Presbiteral, estão já a contribuir com um ordenado mensal para este fundo, o que tem permitido à comissão nomeada, atender aos pedidos que nos têm chegado de toda a diocese”, informa.

O bispo do Algarve apela ainda à generosidade de “todos, particulares e instituições” para contribuírem para o referido fundo. “Dirijo-me sobretudo aos párocos para continuarem a sensibilizar e a envolver as comunidades paroquiais na resposta de «proximidade» às situações locais”, concretiza.

A terminar, evoca a celebração do Ano Europeu do Voluntariado como “ocasião propícia para combater o comodismo e criar laços com os mais necessitados, através de gestos fraternos e atitudes de serviço gratuito” e recomenda a “leitura e meditação” da Mensagem quaresmal do Papa Bento XVI, para este ano.

D. Manuel Quintas preside esta noite, pelas 21h, à missa de abertura da Quaresma com imposição das cinzas na Sé de Faro.

Samuel Mendonça

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