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Uma multidão de alguns milhares de pessoas, oriundas de vários pontos do Algarve e não só, despediu-se esta tarde, em Santa Bárbara de Nexe, no concelho de Faro, do padre Júlio Tropa Mendes, de 77 anos, que faleceu no Hospital de Faro, no passado dia 25 deste mês, vítima de doença prolongada.

O funeral do sacerdote teve início com a celebração das suas exéquias na qual, a Igreja do Algarve, unida na fé e na esperança da ressurreição, quis sufragar a alma do falecido e dar graças pelo dom da sua vida, pelo dom do sacerdócio a que o chamou e pelo dom do seu serviço à própria Diocese do Algarve.

A celebração, que teve lugar na igreja paroquial, começou com uma oração realizada por alguns cristãos da comunidade algarvia greco-católica, a quem o padre Júlio Tropa Mendes sempre apoiou, concretamente através do acolhimento do padre Oleg Trushko, o assistente daqueles imigrantes católicos de tradição bizantina.

Seguiu-se depois a oração de vésperas e a eucaristia, presidida pelo bispo do Algarve, concelebrada por 36 sacerdotes (incluindo vários de fora do Algarve) e participada por três diáconos e por muitos fiéis, familiares e amigos que, para além da paróquia anfitriã, vieram em grande número de Mação – a sua terra natal do distrito de Santarém –, mas também das restantes paróquias por onde passou, ao longo de quase meio século de sacerdócio: Santa Maria e Luz de Lagos, Bensafrim e Estoi.

Na sua homilia, o bispo do Algarve destacou o testemunho do sacerdote falecido “como homem, cristão, padre, irmão e amigo” e as “qualidades da sua rica personalidade” que “caracterizaram o modo como as soube colocar, generosa e desinteressadamente, ao serviço dos outros”.

De entre essas qualidades, D. Manuel Quintas salientou a “alegria que manifestava, não só quando acolhia o bispo mas também os colegas e toda gente”. “A alegria interior e o cultivo de uma amizade sincera e duradoura caracterizava o seu modo distinto de acolher, fosse a quem fosse”, sustentou o prelado. “O testemunho que retemos do padre Júlio constitui um convite não apenas a sermos solidários, mas sobretudo a sermos fraternos e irmãos”, acrescentou, exortando os presentes, que encheram completamente não só a pequena igreja como todo o adro e espaço envolvente ao templo, a conservarem esse exemplo.

Lembrando que, quando morremos “morre apenas o que, em nós, está sujeito à morte, o que é visível e passageiro” – e não “os valores que inspiram e orientam a nossa vida e as atitudes” porque esses “permanecem para sempre” –, D. Manuel Quintas pediu que a vida do padre Júlio Tropa Mendes “seja exemplo, testemunho e apelo de participação ativa na construção de um mundo mais fraterno” e, na Igreja algarvia, seja “semente de vocações de consagração ao serviço, como ele, de todos, particularmente dos mais desfavorecidos”.

A terminar, o bispo do Algarve referiu-se à herança deixada pelo falecido. “O padre Júlio era filho único, mas vede quantos «irmãos» encontrou na sua vida, pois todos o considerávamos nosso irmão e amigo. Pela sua humanidade passava essa dimensão fraterna da amizade e do amor. É essa herança de fraternidade e caridade cristã que queremos todos herdar. É esse o seu grande testamento”, afirmou, exortando todos ao compromisso de fazer “frutificar” a herança recebida.

D. Manuel Quintas informou ainda dos “muitos” testemunhos recebidos de padres que com o falecido trabalharam, a nível nacional, na Pastoral das Migrações, facto que motivou também esta tarde a presença do frei Francisco Sales Diniz, diretor da Obra Católica Portuguesa das Migrações.

No final da eucaristia, os jovens da paróquia homenagearam o sacerdote com a interpretação de um cântico e uma representante dos paroquianos agradeceu a Deus pela sua vida. “Quando ria, fazia-o com todo o coração; quando convivia, fazia-o com toda a liberdade; quando lutava, fazia-o com todas as suas forças; quando acreditava, fazia-o com toda a sua fé”, afirmou, manifestando a compromisso da “família e amigos” de “levar adiante as suas obras”.

Após a celebração, o fadista José Manuel Ferreira declamou um poema e cantou um fado em homenagem ao padre Júlio Tropa Mendes e muitos foram os que quiseram despedir-se uma última vez do sacerdote. A urna saiu da igreja ao som de uma salva de palmas e foi levada em ombros por sócios do Moto Clube de Estoy até ao cemitério da aldeia, onde foi sepultado. Ali os jovens do grupo Juventude Alegria de Maria, da paróquia de Estoi, fizeram uma largada de balões brancos.

 

Samuel Mendonça
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