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“O Estado não é dono da família” ou “Queremos votar” foram alguns dos slogans repetidos pelos presentes onde se contavam ainda alguns sacerdotes e religiosas. Os manifestantes chegaram de vários pontos de país e encheram praticamente por completo as faixas centrais da Avenida da Liberdade.

Além de balões e cartazes, foi possível ver nesta manifestação bandeiras, alguns símbolos monárquicos, terços e várias imagens de Nossa Senhora.

A iniciativa é da Plataforma Cidadania e Casamento, que procurou capitalizar a “indignação” de milhares de portugueses.

Em declarações à ECCLESIA, Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa pela Vida, destacou que o pedido de um referendo em nada vai contra a promessa eleitoral feita pelo governo de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque "esta lei exige uma maioria mais alargada".

Depois de mais de 90 mil assinaturas terem sido entregues na Assembleia da República,esta iniciativa quer ser mais um passo para que os portugueses possam "definir a sociedade que querem", condenado "uma lei que ataca a família".

O ex-deputado António Pinheiro Torres disse, por seu lado, que a manifestação "está a corresponder à indignação que nós sentimos na sociedade portuguesa". Aos responsáveis dos órgãos de soberania, pede que ouçam esta manifestação, que qualificou como "um facto político importante".

Uma iniciativa como a deste Sábado, disse à Agência ECCLESIA, gerada apenas com a "mobilização da sociedade" e sem qualquer conotação partidária "só é possível pelo desejo de um referendo" e a vontade de "rafirmar a beleza da família e do casamento".

Já no palco montado nos Restaudores, perante os gritos de "homem e mulher" e "Família unida jamais será vencida", o socialista Cláudio Anaia manifestou-se "emocionado" com o número de pessoas que se reuniram "em defesa da célula da nossa sociedade, que é família".

"Viva a vida, viva a família, viva Portugal", gritou.

José Ribeiro e Castro, deputado do CDS-PP, falou da marcha como "um gerador" de iniciativas em favor desta causa. Após endereçar as suas condolências pelas vítimas do temporal na Madeira, em especial às "famílias enlutadas", falou da importância de "furar o cerco" político e mediático no debate sobre as uniões entre as pessoas do mesmo sexo.

"Casamento é homem e mulher. Esta lei é, por isso, uma usurpação da sociedade. O casamento não pertence ao Estado", atirou.

Na "festa da Família”, que concluiu a iniciativa, as diversas intervenções foram intercaladas por momentos musicais. Sofia Guedes, responsável por esta organização, destacou que os manifestantes contestavam o facto de "se estar a mexer num património universal que é o casamento".

Recorde-se que a esta iniciativa respondeu um conjunto de militares de Abril, entre os quais o General Garcia Leandro, que também interveio. Numa “carta aberta” subscrita por mais de duas dezenas destes militares, lamenta-se a recusa do referendo: “Vivemos agora uma nova ameaça à Liberdade. Desta vez uma conjuntura política, que nega o legítimo expressar da Soberania”.

Após a última reunião do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), o secretário deste organismo afirmou que a Igreja olhava com “simpatia” para a manifestação.

“A Igreja olha para esta movimentação com simpatia porque, seguramente, tudo aquilo que reforce os laços familiares e a estabilidade do casamento, do verdadeiro casamento, a Igreja aplaude”, precisou o Pe. Manuel Morujão.

Ecclesia

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