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© Luís Forra/Lusa
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As associações de moradores das ilhas barreira da Ria Formosa criticaram no sábado a atuação do Ministério do Ambiente, acusando-o de “preferir demolir casas a salvar a ria”, combatendo a poluição e desassoreando canais e barras.

As críticas foram feitas pelos presidentes das associações de moradores da Culatra e dos Hangares – dois dos núcleos habitacionais das ilhas barreira da Ria Formosa onde o Ministério do Ambiente iniciou um programa de demolição de habitações consideradas ilegais -, depois de participarem num protesto que juntou cerca de 200 embarcações.

A marcha lenta de barco foi convocada pelas associações da Culatra, Hangares e Farol e saiu de Faro, passou pelos três núcleos habitacionais e terminou em Olhão, onde os dirigentes dessas estruturas lançaram críticas ao Governo e à Sociedade Polis Litoral da Ria Formosa pelos trabalhos de demolição que realizam nas ilhas barreira.

“O que pomos aqui em causa é o facto de o Governo ter dado prioridade às obras de demolição, de destruição da ria, e não ter dado a devida atenção a obras necessárias e urgentes, que temos vindo a pedir há tantos anos e que ficaram para trás, estão no papel, estão aprovadas, mas não estão a ser executadas, enquanto as demolições estão a ser realizadas”, afirmou Sílvia Padinha, da Associação de Moradores da Culatra.

Esta dirigente associativa disse ficar “sempre satisfeita com a mobilização das pessoas” e assegurou que o lema dessas populações “é união, força e determinação e foi sempre com esse lema que se conseguiu trazer para a Culatra tudo aquilo que é necessário e urgente”.

José Lezinho, da Associação de Moradores dos Hangares, também criticou as intenções do Governo e, juntamente com Sílvia Padinha, questionou-se sobre “qual o objetivo destas demolições”, quando “há dezenas de saídas de esgotos abertas para a ria”, que deveriam ser “a grande prioridade do Ministério do Ambiente e da Sociedade Pólis, mas também das autoridades locais”.

Este foi o segundo protesto destas comunidades no espaço de oito dias, depois de no dia 28 de março terem organizado uma marcha lenta, com cerca de uma centena de veículos, na Estrada Nacional 125, entre Faro e Olhão, os dois concelhos mais afetados pelas demolições.

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