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“Apelamos a que as pessoas pensem bem antes de fazerem o pedido da reforma, porque muitos dos médicos são ainda muito competentes e com muito para dar” disse Ana Jorge aos jornalistas, em Vilamoura, à margem do Encontro Nacional dos Médicos de Clínica Geral e de Família.

Para a ministra, “não faz muito sentido os médicos que podem exercer pedirem a reforma, mas têm todo o direito de o fazer”. Destacou ainda a medida de exceção criada pelo Governo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) poder contratar médicos reformados.

“Como em determinadas especialidades há falta de médicos, estamos de certo modo a garantir que, enquanto cidadãos, têm direito a uma reforma, e oferecer-lhes a possibilidade de continuarem a trabalhar, fazendo um novo contrato connosco”, observou.

Sem querer quantificar o número de pedidos de reforma antecipada que deram entrada no Ministério da Saúde, Ana Jorge disse que “não tem uma leitura pessimista” sobre o agravamento do SNS, “até porque há médicos que não vão conseguir obtê-la”.

“Das centenas de pedidos, há uns que terão a possibilidade de a ter, outros não”, reforçou.

A ministra da Saúde manifestou também esperança de que muitos médicos, "depois de analisarem as condições da reforma, decidam continuar a trabalhar”.

Ana Jorge explicou que a contratação de médicos reformados não representará um duplo pagamento, mas sim um novo contrato, “cujas condições ainda não estão definidas”.

“Não será um duplo pagamento, mas o que fica é uma espécie de congelamento da reforma”, sublinhou.

Segundo Ana Jorge, o que o Governo aprovou na quinta feira “foi a possibilidade de se fazer um contrato com os médicos que peçam a reforma antecipada, para garantir que mantenham as condições reforma no momento, continuando a trabalhar”.

“Obviamente que continuarão a descontar e a pensão de reforma no final deste contrato, com um máximo de três anos, será o somatório daquilo que teria hoje na pensão mais aquele que adquiriu”, justificou a ministra.

“Eu confio que muitos vão querer continuar a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde, mas cada um fará a sua opção. Poderem continuar a trabalhar será para bem da saúde dos portugueses”, concluiu.

Questionada sobre as críticas do candidato presidencial, Manuel Alegre, ao Plano de Economia e Crescimento (PEC), a ministra da Saúde disse que “as críticas fazem parte” da democracia.

“Nem sempre estamos de acordo. Contudo, o PEC poderá ser algo muito importante e necessário, com algumas medidas que poderão não ser bem aceites, mas são as necessárias para podermos ter a sustentabilidade de todos os portugueses”, observou.

Lusa

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