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Em declarações à Agência Ecclesia, o padre Afonso da Cunha Duarte contou que várias vítimas dos fogos “ficaram sem a casa, os animais, as colmeias, a cortiça e as árvores”.

“Uma pessoa trabalha uma vida inteira e de um momento para o outro vê tudo destruído”, lamentou, acrescentando que haverá famílias que vão “ficar na miséria e sem sítio para onde ir”.

O vigário paroquial de São Brás de Alportel tem percorrido a região e fala de um panorama “desolador”, nunca testemunhado pelas pessoas mais idosas: “Não há palavras para explicar isto. É tudo cinza”.

“Ontem [dia 19 de julho], ao fim da tarde, vi pessoas a gritar e a desmaiar”, afirmou o sacerdote de 72 anos, que se referiu à “ventania terrível” nas quatro frentes do incêndio que fustigou aquela freguesia.

“Em poucos segundos fica-se cercado pelas chamas”, realçou, apontando o caso de uma pessoa que salvou a vida por se ter refugiado dentro de um tanque de água até que o fogo passasse.

No antigo Sanatório de Almargens, atual Centro de Reabilitação, os utentes chegaram a ser evacuados para o pavilhão desportivo de São Brás de Alportel, adiantou o sacerdote, que também mencionou a dificuldade de comunicação com os habitantes que vivem isoladas nos montes.

O responsável elogiou os bombeiros, nomeadamente as corporações do norte de Portugal que foram combater as chamas, e enalteceu a "onda solidária” de pessoas que entregaram leite e outros alimentos aos ‘soldados da paz’.

Redação com Ecclesia
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