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"Não são idosos, como seria de esperar, são pessoas ativas, entre os 20 e os 50 anos, que ficaram sem emprego ou que deixaram de poder fazer trabalhos que reforçavam os seus baixos salários", observa o provedor da instituição, Vítor Lourenço.

Para atenuar a situação dessas famílias, a loja fornece roupas, calçado, material escolar e até equipamento doméstico a quem se dirige às instalações junto à Segurança Social, nos dois dias por mês em que as portas estão abertas.

Na última quarta feira, mais de 60 pessoas acorreram aos cinco voluntários envolvidos no projeto, que já terá apoiado meio milhar de utentes desde o seu arranque.

Para Vítor Lourenço, o fenómeno reflete "um concelho pobre, onde todos estão a ser afetados pela crise internacional".

Na sua opinião, o declínio da agricultura e das pescas – setores tradicionais na Costa Vicentina – tem sido agravado pelo impacto da crise no turismo.

"Há pessoas empregadas que não recebem há cinco meses e outras desempregadas que não têm qualificações para aproveitar as poucas oportunidades de emprego que surgem, como é o caso do novo hotel de cinco estrelas em Sagres", fez notar.

Em resposta às situações "graves e envergonhadas" com que tem sido confrontado, o provedor da Santa Casa estabeleceu ainda um protocolo com o Banco Alimentar Contra a Fome para abastecer, todos os meses, as despensas de mais de 30 famílias.

Na quarta feira, o provedor esteve reunido com o presidente da Câmara de Vila do Bispo no sentido de alargar os apoios sociais aos cuidados de saúde, uma vez que existem "necessidades que não são garantidas pelo Serviço Nacional de Saúde e que as pessoas não conseguem pagar".

Lusa

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