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Missionárias algarvias trabalharam em Angola e Moçambique nos últimos dois anos

Missoes_algarviasCerca de uma dezena de mulheres voluntárias missionárias do Algarve participaram nos últimos anos em missões das irmãs Franciscanas Missionárias de Maria (FMM) em Angola e Moçambique. No último sábado, algumas reuniram-se com o bispo do Algarve (que as enviou em 2012 e 2013) para o informar sobre o trabalho realizado, um encontro realizado em Ferragudo que o Folha do Domingo acompanhou.

Missão de Els Claes em 2012 em Angola
Missão de Els Claes em 2012 em Angola

Petronela Els Claes, de Paderne, formada em medicina alternativa, esteve seis meses em Angola, concretamente em Luena (capital da província de Moxico) e Cangumbe (cidade da província de Moxico), durante o ano de 2012. Ensinou medicina natural, naturopatia e reflexologia, mas também costura e bordados porque levou para Angola uma máquina de costura. Trabalhou sobretudo com crianças porque a sua missão coincidiu com a época das chuvas e os adultos estavam todos a trabalhar no campo.

Aquela missionária de origem holandesa mas de nacionalidade belga que reside há 36 anos no Algarve constata uma “discrepância enorme entre os ricos e os pobres” naquele país. “São eles próprios que têm de resolver esses problemas. Nós, de fora, podemos fazer pouco”, complementa, referindo a necessidade de “mudar os hábitos” a começar pelas crianças. Em Angola apanhou Malária mas tratou-se com recurso a plantas medicinais.

Missão de Ana Poupino em 2013 em Angola.
Missão de Ana Poupino em 2013 em Angola.

Ana Poupino, assistente social, realizou a sua segunda missão em 2012 após uma primeira experiência no verão de 2010, em Nhaconjo, Moçambique, iniciando na altura um projeto de angariação de fundos para a construção de um centro de moagem de cereais – Boluka Kua Zua –, no qual continua empenhada.

Tendo partido para Angola com Els Claes, Ana Poupino, de Lagos, trabalhou em Cangumbe onde não havia água potável, nem eletricidade e a linha telefónica era apenas uma que só funcionava quando havia sol. “É uma zona onde há muito a fazer porque a missão ainda está no início”, testemunhou a D. Manuel Quintas, explicando que a população tem uma grande vontade de aprender e valoriza muito a religião e, concretamente, a Igreja Católica.

Tendo ficado doente, rumou a Luanda para fazer o teste à Malária que acabaria por desfazer as dúvidas com um resultado negativo. Ali procurou incutir nos jovens o “espírito missionário” porque eles entendiam o voluntariado missionário como algo apenas respeitante aos religiosos.

Missão de Sofia Gonçalves em 2012 em Moçambique
Missão de Sofia Gonçalves em 2012 em Moçambique

Sofia Gonçalves, psicóloga clínica, esteve em 2012 com Julieta Lemos em Moçambique, uma semana em Maputo, a capital, e três na Beira, a capital da província de Sofala. “A sensação que tive é que foi muito pouco tempo. Foi mais uma descoberta pessoal. O que fica é mesmo o desejo de voltar e de querer estar mais tempo”, disse a missionária de Quarteira ao bispo do Algarve.

Missão de Daniela Vaz em 2013 em Moçambique
Missão de Daniela Vaz em 2013 em Moçambique

Daniela Vaz, educadora de infância, juntamente com Carmen Geraldes, também esteve em Moçambique durante um mês, mas em 2013 e na vila de Namaacha, da província de Maputo. Trabalhou no apoio escolar a cerca de 60 crianças num centro de acolhimento criado em 2008 onde os alunos realizavam os trabalhos de casa, atividades lúdicas e as refeições. “Foi-nos pedido para dar alguma formação às monitoras. Acho que isso é o essencial porque é capacitar quem lá está e quem lá fica”, disse ao prelado.

Aquela missionária de Portimão trabalhou ainda com doentes de HIV. “Nestes países, o índice [de incidência da doença] é elevadíssimo e mudar mentalidades leva décadas. Há coisas simples que podem ser tratadas e não são porque a mentalidade não o permite ainda”, contou ao bispo diocesano, lamentando a influência da feitiçaria e dos curandeiros. “A opinião do curandeiro prevalece à dos médicos”, lastimou, afirmando não obstante que os moçambicanos “são um povo muito crente”. “Apesar das dificuldades que encaram todos os dias, não deixam de ter fé, não se revoltam. Acabam por aceitar e agradecer e isso é uma lição de vida para nós”, considerou, acrescentando: “foi apenas um mês mas um mês significativo na nossa vida e, sobretudo, na vida deles.”

Missão de Marlene Viegas em 2013 em Angola
Missão de Marlene Viegas em 2013 em Angola

As enfermeiras Marlene Viegas e Carmem Santos, a quem não foram concedidas licenças sem vencimento, seguiram em 2013 para Angola onde puderam permanecer apenas no seu mês de férias laborais, respetivamente em Saurimo, capital da província de Lunda-Sul, e em Dala, uma vila da mesma província. Marlene Viegas, natural de São Brás de Alportel mas residente em Portimão, trabalhou num centro materno-infantil com outras enfermeiras no apoio pré-natal, terapias, vacinação e consultas de saúde infantil, nutrição e alimentação. “Fiz o melhor que sabia e que consegui. Foi um desafio a nível pessoal e profissional”, explicou, acrescentando ter sido muito importante o apoio espiritual das FMM que a levou a participar agora na catequese de adultos da paróquia matriz de Portimão para aprofundamento da fé.

Missão de Carmem Santos em 2013 em Angola
Missão de Carmem Santos em 2013 em Angola

Carmem Santos, outra das reincidentes, já tinha realizado uma missão em Angola há cinco anos. “Foi muito bom voltar. Foi um novo desafio. Há cinco anos tinha estado em Saurimo, desta vez fui para Dala, um lugar onde tinha passado num fim-de-semana e sobre o qual tinha pensado: Uau! Que lugar de missão! Quem me dera poder voltar e vir para cá… E, sem pedir, proporcionou-se que o lugar de missão fosse Dala”, testemunhou. Ali trabalhou num posto de saúde, numa maternidade e num hospital, cujas condições disse estarem a “anos-luz” da realidade portuguesa. A pedido das FMM colaborou também na escola local e na catequese.

“Dala, para além de lugar de missão, foi um lugar de encontro comigo mesma a partir do encontro com aquele povo, um povo incrível que não olha ao que não tem mas, sobretudo, ao que tem: a vida. É bom parar e fazer um pouco de deserto na nossa vida… São estas coisas que nos ajudam a valorizar mais a nossa vida e aquilo que somos. Aquele mês, que foi de 30 dias, teve para mim um impacto de um ano”, explicou aquela missionária de Espiche (Luz de Lagos).

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