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Monchique aposta nos cogumelos selvagens para fortalecer a economia

© Luís Forra/Lusa
© Luís Forra/Lusa

Os passeios de apanha e identificação de cogumelos selvagens são uma atividade turística recente em Monchique que atrai centenas de pessoas e que o presidente da câmara quer ver a impulsionar a economia local, criando um nicho de mercado.

A autarquia tem vindo a organizar atividades de promoção dos seus produtos típicos, em que se incluem os cogumelos, exatamente para incentivar a população e até investidores de fora a apostar em projetos que possam dar valor acrescentado e emprego ao concelho.

“Temos recursos muito bons e matéria-prima muito interessante mas que depois acaba por não ter muita transformação e acaba por sair do concelho a preços muito baixos”, comentou o autarca, Rui André, que desafiou a Universidade do Algarve a estreitar relações com Monchique e a fomentar o estudo dos seus recursos e ideias de negócio.

Convidado para um dos passeios micológicos de Monchique, o biólogo Carlos Vila Viçosa contou à Lusa que naquela zona do Algarve são conhecidas 20 espécies com valor comercial, seja para alimentação, seja para outros usos, como o medicinal.

Em toda a serra “podemos estar a falar de centenas de espécies, eventualmente 300, 400 ou até mais”, comentou o biólogo, admitindo que para determinar a diversidade real seriam precisos estudos mais aprofundados.

Ana Frutuoso fez dos cogumelos da Serra de Monchique e do Caldeirão objetos dos seus estudos universitários e hoje participa em passeios micológicos onde explica aos participantes como podem identificar a toxicidade dos cogumelos.

“É importante identificar um cogumelo de uma ponta à outra, não cortar o pé e não identificar só pela cor do chapéu, porque é por isso que as pessoas se enganam”, explicou.

A dureza, o cheiro, as pregas ou as lâminas dos cogumelos são aspetos fundamentais que devem ser analisados com atenção e se possível com recurso a um guia, principalmente se o objetivo for colher cogumelos comestíveis.

As espécies “Amanita Caesarea”, “Boletus Edulis” e “Cantharellus Cibarius” são as espécies mais seguras para utilização gastronómica, mas é preciso ter cuidado para não confundir com outras espécies como o “Amanita Phalleides”, cujo veneno é mortal.

A própria restauração parece querer “entrar na onda” – no seu restaurante, Geraldino José já serve os cogumelos fritos com alho como uma especialidade e diz-se pronto para promover os cogumelos de Monchique no seu menu. Mas para isso precisa de garantias de segurança.

“Estamos à espera de que estes produtos sejam comercializados aqui regionalmente e nós tenhamos acesso a eles para poderem anualmente, durante a estação, apresentar todo o tipo de cogumelos aos nossos clientes”, comentou.

No concelho de Monchique, há cerca de 30 anos que José Pascoa tem o único posto de entrega de cogumelos e trabalha essencialmente com seis espécies.

Atualmente, diz que quem mais lhe entrega cogumelos são pessoas reformadas ou jovens desempregados que por esta via procuram contribuir para o orçamento familiar.

Os cogumelos são depois enviados para comerciantes, que os tratam, embalam e comercializam, sobretudo para o estrangeiro, explicou.

Alemanha, França, Espanha, Suíça e Estados Unidos da América são alguns dos destinos mais frequentes para os cogumelos da Serra de Monchique distribuídos por José Pascoa.

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