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Inserido na primeira fase da introdução da Televisão Digital Terrestre (TDT), o "apagão" analógico verificou-se hoje às 11:00, com o desligamento do emissor da Fóia e dos retransmissores de Monchique, Cercal do Alentejo, Santiago do Cacém, Odemira, Odeceixe, Aljezur e Silves, que abrangiam vários concelhos do Algarve e do Alentejo.

O desligamento do sinal analógico de televisão deixou cerca de 400 pessoas, na sua maioria idosos, sem acesso aos quatro canais de televisão RTP1, RTP2, SIC e TVI.

"O apagão não foi só analógico, mas também digital, porque cerca de 90 por cento da freguesia não é abrangida pelo sinal TDT terrestre", lamentou o presidente da Junta de Freguesia de Alferce, Humberto Varela.

"Esta imposição é preocupante. É uma zona rural, com população idosa que não tem recursos económicos para gastar 138 euros na aquisição de equipamentos para receber o sinal por satélite", observou Humberto Varela.

Segundo o autarca, o sentimento de "revolta é grande, porque são pessoas que vivem com reformas de cerca de 200 euros mensais, verba que raramente chega para adquirirem os medicamentos de que necessitam, quanto mais para comprarem sistemas de televisão".

"Espero que a Portugal Telecom seja sensível ao drama destas pessoas, e que reforce o sinal com retransmissores que resulte em menores custos para as famílias", destacou o presidente da junta de Alferce, recordando que "a televisão era a principal forma de entretenimento para muitas pessoas".

Por seu turno, uma das moradoras de Alferce manifestou-se "triste e indignada" com o fim do sinal analógico, e lamentou "não ter dinheiro" para adquirir um sistema de receção por satélite.

"Pediram-me 138 euros para instalar o sistema. Como recebo pouco mais de 200 euros de pensão de reforma, tenho de ficar sem televisão", lamentou Aurora Silva, de 74 anos.

Lusa

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