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Morangos não chegam para as encomendas de Natal e Ano Novo do Norte da Europa e Rússia

A chave do sucesso é a qualidade dos pequenos frutos vermelhos que é fornecida pela luz algarvia conjugada com a alta tecnologia.

“Com a neve, o frio rigoroso e sem luz do sol suficiente, os países do Norte da Europa não conseguem produzir morangos para a época natalícia e, por isso, recorrem à produção algarvia”, explica à agência Lusa Pedro Vaquinhas, produtor de morangos e framboesas pelo método de hidroponia (sem solo).

Holanda, Suíça, Dinamarca, Noruega, Reino Unido, Alemanha, Finlândia e até a Rússia são mercados consumidores de morangos ao longo de todo o ano, mas como no inverno não têm a luz algarvia para desenvolver o fruto vermelho, têm de recorrer à importação, esgotando os “stocks” no Algarve.

“Temos uma área de produção de 12 hectares. De cada hectare retiramos cerca de 70 mil quilos de morangos, mas se tivéssemos 100 hectares de produção de morango vendíamos tudo”, admite Pedro Vaquinhas, reconhecendo que a região "não tem morangos suficientes para as encomendas”.

A época de escoamento dos morangos algarvios – considerados dos mais caros do mundo – começa em dezembro/janeiro e vai até junho.

“A procura é cada vez maior e estamos a tentar aumentar a produção nos próximos anos”, admite Pedro Vaquinhas, considerando que todas as culturas que se possam fazer “contra-estação” e com qualidade elevada têm mercado consumidor garantido.

Morangos, framboesas, figos, amoras, mangas e mesmo caracóis são alguns dos produtos que o agricultor acredita que têm escoamento garantido em mercados do Norte da Europa, países que apesar das capacidades de produção e da alta tecnologia, têm défice de luz natural para amadurecer a fruta.

“A fruta que conseguirmos produzir contra-estação preenche lacunas no mercado e por isso este é um negócio anti-crise”, reconhece o agricultor.

Os morangos algarvios crescem pelo método da hidroponia, em recipientes elevados da terra e a alimentação tem por base a água com nutrientes e substratos de casca de pinheiro ou fibra de coco.

O Algarve produz, por ano, cerca de 900 toneladas de morangos por hidroponia e apenas 25 por cento dessa fruta é para consumo interno.

Os restantes 75 por cento da produção regional são embalados em pequenas caixas transparentes e transportados em camiões frigoríficos para o norte da Europa.

Depois de empacotados seguem para os supermercados internacionais como o "Sainsbury", em Londres, com a indicação na caixa a dizer "strawberries class 1", ou seja, considerados morangos de luxo.

O Algarve foi a primeira região no país a desenvolver culturas hidropónicas há cerca de dez anos, um método produtivo onde se consegue alcançar acréscimos de produção de 20 a 40 por cento comparativamente às culturas em solo.

Lusa

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