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Movimento dos Cursos de Cristandade reuniu cursistas algarvios em Albufeira

Foto © Samuel Mendonça
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Cerca de 65 cursistas de vários pontos do Algarve participaram no passado sábado na ultreia do Movimento dos Cursos de Cristandade (MCC) na diocese algarvia, promovida em Albufeira.

Foto © Samuel Mendonça
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O MCC é um movimento de leigos (não clérigos ou consagrados) da Igreja Católica que propõe uma vivência de vida segundo os fundamentos da fé. Depois da participação num curso ou cursilho (termo adaptado do original espanhol) de três dias e meio, os fiéis são convidados a continuar a caminhar em grupo, nas comunidades, realizando encontros (ultreias) onde partilham as suas experiências de fé.

Foto © Samuel Mendonça
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A ultreia diocesana, que teve lugar no Centro Pastoral Beato Vicente, ficou marcada pelo testemunho (rolho) de Lurdes Meirinho, da paróquia anfitriã. Não era frequentadora assídua da igreja até inscrever o filho na catequese. A partir daí passou não só a levá-lo às atividades da paróquia, mas a participar também na eucaristia. Fez depois o 31º Curso de Cristandade de Senhoras e foi então que a sua vida mudou. A sua partilha no encontro de sábado baseou-se naquele que tem sido desde então o seu projeto de vida, cimentado naquilo que em São Lourenço do Palmeiral prometeu, “perante Jesus”, a si própria e que tem procurado desenvolver no seu dia-a-dia. “Nasceu em mim uma necessidade de fazer algo mais concreto para a comunidade e menos pessoal. Foi esclarecedor a necessidade que havia de cumprir tarefas que não só a minha ida à igreja ou à catequese. O meu marido também fez o curso e operou-se uma grande diferença na nossa vida”, contou Lurdes Meirinho ao Folha do Domingo.

Ultreia_diocesana_cursos_cristandade_2016 (3)Em 1999, na sequência da tentativa de ajuda para tratamento nos Estados Unidos da América de um jovem que se encontrava com uma grave doença e que viria a falecer, dinamizou um grupo de pessoas para fundação de uma associação humanitária. Atualmente, a AHSA – Associação Humanitária Solidariedade de Albufeira já apoia 156 utentes e conta com várias respostas sociais como banco de roupa, banco de alimentos ou centro de dia.

“Tem-se tornado numa presença social que tem dado resposta a muitas famílias. É talvez uma das respostas mais concretas neste âmbito no concelho de Albufeira”, acrescenta sobre aquela IPSS que conta com 22 funcionários e que tem inspiração cristã. “Desempenhamos a nossa ação à luz da presença de Cristo”, referiu Lurdes Meirinho, que vive em Albufeira há 37 anos, mas é natural de Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança.

Foto © Samuel Mendonça
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O bispo do Algarve, que presidiu àquela ultreia diocesana, após o rolho e as ressonâncias que se lhe seguiram, destacou que “quem se deixa ser «pincel» nas mãos de Deus, a sua vida é sempre colorida porque Ele é o melhor dos «artistas»”. D. Manuel Quintas acrescentou, contudo, que “nas cores de Deus” também há as mais escuras. “Algumas cores que não gostaríamos que estivessem na «pintura» que somos nós, estão lá porque isso é caminho de vida e de santidade aos olhos de Deus, embora nós, tantas vezes, não saibamos lê-las nem interpretá-las. Temos de nos deixar conduzir mais por Ele à luz da fé para entendermos aquelas cores que, vistas de longe formam uma vida colorida, mas vistas ou vividas de perto, às vezes, podem sobressair sobre as outras. Quando aceitamos olhar para a nossa vida de longe, com o olhar de Deus, com um olhar de fé, até essas cores mais escuras as entendemos porque entram dentro daquele que é o projeto de Deus para nós”, completou.

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Na eucaristia que se seguiu, o prelado referiu-se aos Cursos de Cristandade como uma “experiência gratificante” e “transformadora” que leva cada cursista a olhar para a sua vida e para Deus de uma maneira até então desconhecida. “Se não houver estes momentos na nossa vida que avivem essa presença gratificante de Deus num Curso de Cristandade, facilmente o nosso seguimento de Cristo se torna inconsistente e intermitente. E não pode ser assim”, afirmou sobre as ultreias.

A ultreia diocesana contou também a participação dos assistentes espirituais do MCC. O cónego Joaquim Nunes lembrou que o curso “não tem a ver com aprender”, mas com “viver”. “Aquilo em que é preciso centrar é no viver”, frisou.

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O padre Rui Barros Guerreiro informou que está a ser realizada uma reformulação dos rolhos (místicos e laicais) dos Cursos de Cristandade sob a orientação do diretor espiritual nacional, D. António Montes, tendo sido para tal constituída uma equipa da qual ele próprio faz parte.

Vitor Baltazar, responsável da equipa diocesana do MCC, congratulou-se com a criação no presente ano pastoral de 2015/2016 de um novo centro de ultreia no Algarve, em Aljezur, lamentou a não realização do mini-cursilho previsto no programa, anunciou a continuação das visitas aos centros de ultreia algarvios e a realização da Ultreia Mundial em Fátima, de 5 a 7 de maio do próximo ano, do 68º Curso de Cristandade de Homens, de 26 a 29 janeiro do mesmo ano, e do 53º Curso de Cristandade de Senhoras, de 9 a 12 março de 2017. “Espero que o presente de Natal que possamos dar ao nosso movimento seja um bom punhado de fichas. Conto convosco!”, apelou.

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O primeiro cursilho no Algarve realizou-se a 18 de março de 1964, sendo destinado a homens, ao qual se seguiu o primeiro cursilho de senhoras em abril do ano seguinte.

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