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A morte do sacerdote foi um “desígnio acolhido na fé e na esperança” pela Igreja algarvia que quis sufragar a alma do falecido e dar graças pelo dom da sua vida, pelo dom do sacerdócio a que o chamou e pelo dom do seu serviço à própria Diocese do Algarve, como sublinhou hoje o bispo do Algarve, na celebração exequial do funeral do sacerdote a que presidiu na igreja paroquial de Nossa Senhora do Amparo.

Na eucaristia, concelebrada por 42 sacerdotes, muitos de fora da Diocese do Algarve, sobretudo da Companhia de Jesus (jesuítas) – congregação da qual era membro o padre Arsénio da Silva –, D. Manuel Quintas lembrou e agradeceu o “dom do seu ministério sacerdotal”, exercido quase na totalidade ao serviço da Diocese do Algarve e concretamente na paróquia de Nossa Senhora do Amparo de que era pároco há 29 anos.

O prelado lembrou que foi o sacerdote falecido que “lançou a semente” daquela paróquia, criada como vicariato em Janeiro de 1983 e como nova paróquia de Portimão em Outubro de 1990. “Foi ele que lançou a semente, regou e amparou a «árvore adulta» que é já esta comunidade, cujos frutos sois vós, membros desta paróquia. Sois testemunhas desta obra que é de Deus, mas é também de cada um de vós”, afirmou D. Manuel Quintas.

O bispo do Algarve lembrou ainda que o falecido “era único no seu ser e agir como pessoa e sacerdote, sendo por vezes difícil de acompanhar no seu estilo caraterístico”. “Retenho como exemplo e herança pessoal o testemunho da sua simplicidade, pobreza e desprendimento, a entrega total de tudo o que era como pessoa e o tempo todo; entrega sem reservas àqueles que poderemos considerar os grandes amores da sua vida: esta paróquia e, nela, os mais carenciados, os idosos, os jovens e a Rádio Costa D’Oiro com qual vibrava de modo intenso e constante”, complementou D. Manuel Quintas.

O bispo diocesano lembrou ainda o Centro Paroquial, fruto da “persistência e determinação admiráveis” do padre Arsénio da Silva, e “que hoje presta um serviço inestimável, sobretudo através do Refeitório Social”. “Agradeçamos a Deus o dom da sua vida, vivida com total dedicação ao serviço dos outros, e à Companhia de Jesus agradecemos o ter possibilitado a sua vinda e permanência entre nós”, acrescentou.

D. Manuel Quintas agradeceu ainda aos seus “colaboradores mais diretos e, sobretudo, a quantos na paróquia, no hospital e no último mês e, meio da sua vida, em São José de Alcalar, o acompanharam na doença e ajudaram a criar o edificante testemunho de fé, de abandono à vontade de Deus, de paz e de serenidade que se respirava à sua volta nesta derradeira etapa da sua vida”.

Lembrando que o padre Arsénio da Silva foi o quinto sacerdote do Algarve a falecer desde 28 de dezembro passado, o bispo do Algarve desejou que o testemunho da vida e serviço do falecido constitua, para a Igreja algarvia e para a Companhia de Jesus, “dom e semente” de novas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada.

D. Manuel Quintas anunciou ainda a continuidade da Companhia de Jesus no Algarve que se estende atualmente à colaboração nas paróquias da Mexilhoeira Grande e de Nossa Senhora do Amparo, esta agora totalmente entregue aos cuidados do padre Estêvão Jardim que já era seu vigário paroquial. “Vamos continuar a contar com a Companhia de Jesus aqui no Algarve, não apenas com a dedicação e abnegação do senhor padre Domingos e agora do senhor padre Estêvão, a quem quero deixar uma palavra de apreço e estímulo pela dedicação, apesar da idade que tem e de tantos anos ao serviço da Igreja missionária. Queremos continuar a contar com a Companhia de Jesus no Algarve porque com ela a Igreja diocesana é muito mais rica e vai responder melhor aos apelos deste povo que precisa urgentemente de servidores à medida de Cristo”, afirmou.

Também o padre Alberto Brito, superior provincial da Companhia de Jesus, lembrou que o padre Arsénio da Silva “fez de tudo na vida”: de trabalhador no Porto de Pesca de Portimão, a empreendedor da igreja e do centro paroquial, a celebrante que presidia e também tocava órgão na Eucaristia, a “mobilizador de voluntários para dar de comer a quem tem fome”, a “voz de quem não tem voz, na rádio e não só”. “Fez de tudo na vida para a todos falar de Deus. Essa foi a grande razão e a imagem que fica, que recordamos e que agradecemos”, complementou.

Considerando que “a sua dedicação continua a ser uma inspiração” para todos, o padre Alberto Brito lembrou o “homem ativo com uma genica e uma garra que nunca mais parava”. “O Arsénio, que fez tanta coisa nesta terra, no céu ainda há-de fazer muito mais por nós e connosco”, concluiu, aludindo a uma célebre referência de Santa Teresinha do Menino Jesus, agradecendo aos paroquianos, amigos, colaboradores, familiares e à Diocese do Algarve. A terminar, rezou-se a oração do Pai Nosso, a pedido do superior provincial.

Após a Eucaristia, que foi transmitida em direto pela Rádio Costa D’Oiro, a urna saiu da igreja ao som de uma salva de palmas e foi levada em ombros pelos familiares até ao carro funerário. Seguiu-se para o cortejo a pé até ao Cemitério de Portimão, onde foi sepultado o corpo do sacerdote falecido que não quis flores no seu funeral, tendo pedido que o valor das mesmas revertesse a favor dos mais pobres.

Samuel Mendonça
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