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No final de uma reunião do organismo que reúne dos 16 municípios algarvios para debater as dificuldades financeiras que atravessam, o presidente da AMAL, Macário Correia, disse que neste momento a banca não está a conceder crédito às autarquias, pedindo a intervenção do Governo.

“A chamada troika está numa nova ronda de negociações e acompanhamento da situação em Portugal e tem dedicado nestes dias algum trabalho com a banca. Dos 78 mil milhões dedicados ao reequilíbrio da República Portuguesa, 12 mil milhões têm a ver com a banca e estará a ser analisado com os oito maiores bancos a forma de afetar estes 12 mil milhões para a economia privada, para empréstimos a autarquias ou outras finalidades”, afirmou Macário Correia.

O autarca de Faro frisou que “as autarquias, no seu conjunto [do país], carecem de uma forma urgente de cerca de 2 ou 3 mil milhões para contratos de saneamento, dívida financeira e outras dificuldades ”, mas “todavia, a banca, desde há cerca de dois meses a esta parte, praticamente fechou o acesso ao crédito e está a exigir spreads muito altos“.

“Esperamos que essa negociação corra bem, porque neste momento alguns municípios têm condições de pagar empréstimos, necessitam deles, mas tem havido uma atitude difícil da banca em concedê-los. Esperamos que esta negociação, que é articulada pelo Governo em primeiro lugar, e com a própria troika, resulte em nosso benefício para acorrer às nossas dificuldades”, disse Macário Correia.

O presidente da AMAL afirmou ainda que as 16 autarquias do Algarve somam 300 milhões de euros de dívida vencida, sublinhando que “a negociação bilateral câmara a câmara, banco a banco está difícil e tem que haver uma decisão estratégica, definindo uma tranche, uma orientação, que tem que ser dada pelo governo para orientar este setor da economia”.

Macário disse também que estas verbas “não são para investimentos sumptuosos”, mas sim “para animar a economia local” e “manter postos de trabalho”, esperando por isso que “o Governo ajude a ter essa abertura da banca”.

O autarca frisou também que o Algarve “teve uma quebra de receitas de metade nos últimos três anos”, quer por parte das transferências do Estado quer pelo facto de ter menos acesso a fundos comunitários, mas tem que “manter a linha de animação e atração que torne satisfatória a presença no Algarve de tantos milhões de cidadãos de Portugal e do mundo inteiro”.

Macário Correia disse que as autarquias da região irão, no âmbito do contrato que têm com a Águas do Algarve para fornecimento de água potável e tratamento de efluentes, “fazer um esforço para harmonizar o tarifário praticado na região” e “recomendar a outras entidades algumas contenções de custos, aproximações e fusões”.

Lusa
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