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Na apresentação da encíclica do Papa lamentou-se as demolições na Ria Formosa

© Luís Forra/Lusa
Foto © Luís Forra/Lusa

O diácono Luís Galante lamenta que, no processo de demolições da Ria Formosa, não tenha sido dada a atenção às culturas locais, sugerida pelo Papa Francisco na sua recente encíclica, intitulada ‘Laudato Si’, nas “questões relacionadas com o meio ambiente”.

No encontro de apresentação da encíclica no Algarve, que teve lugar na última quarta-feira no Seminário de Faro, o diácono lembrou que o documento “pede que se preste atenção às culturas locais quando se analisam as questões relacionadas com o meio ambiente” porque inclui uma “perspetiva que reconhece que a ecologia envolve também o cuidado das riquezas culturais da humanidade”.

Aquele membro do clero da diocese algarvia considera que “este diálogo entre a linguagem técnico-científica parece não ter ocorrido no conflito que opõe o Ministério do Ambiente aos pescadores e mariscadores das ilhas da Ria Formosa”. “Por muito boas que sejam as intenções do Ministério, a verdade é que se não fosse a intervenção do tribunal teríamos já a população desalojada e deslocada, expulsa das ilhas, do habitat onde muitos nasceram, nunca tendo conhecido outro local de residência e de trabalho”, referiu, acrescentando que “este tipo de circunstâncias não podem deixar de ser ponderadas na hora de tomar decisões sobre a relação do ser humano com o meio ambiente”.

Citando o Papa, prosseguiu, afirmando que “pretender resolver todas as dificuldades, através de normativas uniformes ou por intervenções técnicas, leva a negligenciar a complexidade das problemáticas locais que requerem a participação ativa dos habitantes”. “É preciso assumir a perspetiva dos direitos dos povos e das culturas que requer, constantemente, o protagonismo dos atores sociais locais a partir da sua própria cultura”, continuou.

“Ao tratar este assunto, o Papa parece estar a pensar nos aborígenes, exemplo que refere mais adiante, mas a reflexão afigura-se-me igualmente pertinente para os pescadores da Ilha do Farol de Santa Maria”, afirmou o diácono que apresentou os capítulos IV e V do documento.

Referindo-se ao “diálogo e à transparência nos processos decisórios”, o orador destacou que “Francisco prefere, claramente, as decisões tomadas a nível local”. “É sempre necessário alcançar consenso entre os vários atores sociais, mas no debate devem ter lugar privilegiado os moradores locais, aqueles mesmos que se interrogam sobre o que desejam para si e para os seus filhos”, citou ainda.

O processo de renaturalização da Ria Formosa, lançado pelo Ministério do Ambiente, através do programa Polis, prevê a demolição de um total de 800 construções nos núcleos urbanos das ilhas-barreira da Ria Formosa.

A encíclica é o grau máximo das cartas que um Papa escreve. A expressão ‘Laudato si’, em italiano antigo, remete para o ‘Cântico das Criaturas’ (1225), de São Francisco de Assis, o religioso que inspirou o Papa argentino na escolha do seu nome, após a eleição pontifícia.

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