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Os comerciantes de Faro mostram-se pouco esperançados com as vendas de Natal e a associação de comércio e serviços da região alerta mesmo para possíveis falências no setor, não acreditando numa retoma antes de 2022.

Ao final da tarde, numa véspera de fim de semana prolongado que antecede um feriado, o movimento de pessoas nas ruas pedonais da baixa de Faro destoa das iluminações de Natal, que procuram despertar o espírito da quadra.

Ao longo das várias artérias do comércio local que a Lusa percorreu, são poucos os cidadãos que entram e saem das lojas e os comerciantes atestam que o movimento está longe do normal nesta época.

“Está muito calminho, estávamos à espera de mais pessoas, especialmente nestes dias [antes do feriado], mas a cidade tem estado vazia, há poucas pessoas”, afirma à Lusa o proprietário de uma sapataria.

Com grande parte dos clientes “de fora do concelho”, Luís Costa sublinha que a proibição de circulação entre concelhos imposta pelo Governo no âmbito do combate à covid-19 traz consigo uma perspetiva “negativa” para mais um fim de semana prolongado.

O comerciante ainda coloca alguma esperança nos “clientes habituais” e “na semana antes do Natal”, altura que se compram as “prendas de última hora”.

Nas montras das lojas são visíveis anúncios de promoções e decorações que apelam à habitual troca de prendas de Natal. À passagem por uma perfumaria, os aromas despertam o estímulo de compra e no interior a esperança é que “ainda venha a correr bem”, confidencia uma das empregadas.

Habituada a vários Natais com enchentes, Maria João Correia afirma que este ano os descontos “até são superiores aos do ano passado”, mas as “restrições” impedem que os clientes de “outros lados” venham à loja nos fim de semana “dos feriados”.

A ausência de estrangeiros que “movimentavam a rua” também é notada, quebrando a dinâmica de consumo onde “as pessoas de uns negócios consumiam nos outros”.

No entanto, lamenta, “quem não ganha de um lado não gasta no outro”. E questiona: “Nós no Algarve vivemos do quê?”.

Posição mais conformada manifesta José Lourenço, funcionário de uma loja de roupa, revelando que a situação é bem diferente da “dos últimos anos”, mas crente de que “há sacrifícios” que é preciso suportar.

“Vamos ter uns meses bem difíceis, mas creio que a vacina vai ter um impacto impressionante na moral das pessoas e mudar completamente a situação que estamos a viver”, destaca.

Preocupada com atual situação do setor, a Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL) realizou um inquérito em novembro junto dos seus associados e as mais de 300 respostas recebidas deixaram “preocupado” o seu presidente.

Paulo Alentejano revela que a situação é “muito grave”, com “um grupo muito alargado” de empresários a equacionar “despedimentos” ou o “encerramento da atividade”.

O responsável dá conta de “um desalento” por parte dos associados, que não acreditam numa retoma “antes de 2022”, ao que “se soma” o facto de “os apoios tardarem a chegar”.

Numa tentativa de dinamização do comércio local, a ACRAL está a promover com algumas câmaras municipais uma campanha de cupões, onde a cada compra o cliente se habilita a vales de compras nas lojas do comércio local da cidade.

O objetivo é criar “um movimento de compras cruzadas no comercio” à qual se soma também um “incentivo às crianças do ensino primário a ganharem cheques prendas para descontar no comércio local”, conclui.

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