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Ontem à noite, quase duas centenas de pessoas, incluindo membros das Igrejas Católica, Greco-católica e Ortodoxa romena, juntaram-se na igreja de São Pedro, em Faro, para rezar por aquela causa.

Conforme explicou António Aparício, um dos organizadores da iniciativa, o “Juntos pela Europa” “é fruto de uma caminhada livre e autónoma de membros de diferentes movimentos e comunidades eclesiais e de várias Igrejas cristãs – católicos, evangélicos, anglicanos e ortodoxos –, provenientes de muitos países e regiões da Europa”. “Apoia-se no exercício diferenciado de talentos e carismas e pretende testemunhar a urgência de dar uma alma cristã à Europa”, frisou.

O “Juntos pela Europa” (“Together for Europe”, na versão internacional) começou em Roma, na vigília de Pentecostes de 1998, quando o Papa João Paulo II reuniu os movimentos e as novas comunidades e pôs em relevo o papel essencial que têm na Igreja.

Fundadores e responsáveis de vários movimentos, para responder ao apelo do Papa, iniciaram um percurso de comunhão, de mútuo conhecimento entre todos, tendo em vista “reavivar a alma cristã da Europa”. Mais tarde esta comunhão foi alargada a movimentos de outras Igrejas cristãs e deram-se novos passos no sentido de colaborarem para “preencher o enorme vazio religioso da Europa”.

A base da sua comunhão é um “pacto de amor recíproco” inspirado pelo evangelho que os une estreitamente. Com este espírito de comunhão realizaram-se em Estugarda, na Alemanha, em 2004 e em 2007, duas grandes jornadas europeias com o lema “Juntos pela Europa”, de onde surgiu o Manifesto ‘os 7 SIMs’ que sublinha em sete pontos o desejo de contribuir para uma Europa unida, apesar das diferenças, numa colaboração efetiva entre os movimentos e aberta a todas as pessoas.

Em maio do ano passado, em Bruxelas, voltou a realizar-se outra jornada à qual o Algarve se associou com diversas dinâmicas de celebração e animação, precedida por uma vigília de oração em Vilamoura.

Uma das intenções centrais do “Juntos pela Europa” é que os vários movimentos e comunidades cristãs se deem a conhecer e que assim se possa desenvolver um novo entendimento e uma nova prática.

Os ‘os 7 SIMs’ propostos são o “SIM à vida, defendendo-a em todas as suas fases”, o “SIM à família, raiz de uma sociedade aberta ao futuro”, o “SIM à criação, defendendo a natureza e o ambiente”, o “SIM a uma economia justa, ao serviço da pessoa e da humanidade”, o “SIM à solidariedade, para com os pobres e marginalizados”, o “SIM à paz, promovendo a reconciliação através do diálogo” e o “SIM à responsabilidade fraterna”, para que as cidades “se tornem espaços e acolhimentos”.

O bispo da Igreja Católica algarvia, que ontem concelebrou a vigília de oração, advertiu para os riscos que se vivem atualmente no continente europeu. “Há muitos anos que alguém vem dizendo que estamos a construir uma Europa sem alma, sem valores e por isso é uma Europa que corre o risco de ser desumana”, alertou D. Manuel Quintas, acrescentando que “uma Europa construída por habitantes que perdem a sensibilidade de «ver» com o coração pode ser uma Europa que vê apenas o lado financeiro e economicista, o lucro pelo lucro, em que a economia não está ao serviço da pessoa, respeitando a sua dignidade, em que se confunde facilmente o progresso com outros tipos de “progressos” que são regressivos e podem escravizar e desumanizar”.

Neste sentido, o prelado explicou que “quem «vê» com o coração não pode passar indiferente ao largo de situações com as quais nos cruzamos, porque «ver» com o coração é ver o que está por detrás das pessoas”.

D. Manuel Quintas apelou à união na “construção de uma Europa diferente e melhor”. “Queremos comprometer-nos por uma Europa unida, solidária e acolhedora. Que o nosso viver juntos seja sinal de liberdade, justiça e solidariedade. Queremos construir uma Europa que se abra, com generosidade, aos desafios do mundo pobre, uma Europa que ponha a ânsia de paz e convivência no centro das suas preocupações e do seu trabalho”, sustentou.

A vígilia foi ainda concelebrada pelo padre Firmino Ferro, vigário geral da Igreja Católica algarvia, pelo padre Ioan Rîşnoveanu, representante de Igreja Ortodoxa romena algarvia e pelo padre Oleg Trushko, representante da Igreja Greco-católica no Algarve.

Samuel Mendonça

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