Quis o novo bispo do Algarve que a primeira visita, no dia seguinte ao início do seu ministério, fosse ao santuário mariano de maior expressão na diocese.



Ao chegar em Loulé ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como «Mãe Soberana», D. Vitorino Soares disse logo ao que vinha. “Venho aqui, quase como o Menino perdido no templo para me deixar encontrar pela Mãe”, afirmou.



“Esta «Mãe Soberana», que invocamos também como esta Senhora que tem pena, piedade de nós (que é uma prece que todos fazemos diariamente), precisamos da sua presença, precisamos do seu amor maternal, mas sobretudo precisamos de nos sentirmos seguros. Venho aqui também entregar-me a esta Mãe, porque reconheço que sou filho e que se perder a ligação com ela, deixo de ser filho. Sabemos que nos reconhecemos filhos quando estamos mesmo assim próximos, pertinho da nossa mãe”, prosseguiu.



“Quero consagrar-me, quero estar com ela, quero viver no seu amor e quero que ela possa ser a nossa Mãe, de todos, hoje e todos os dias da vida. Sabemos que ela não nos recusa, mas temos, muitas vezes, também de ir ao encontro dela”, disse ainda, acrescentando querer também consagrar a Diocese do Algarve à «Mãe Soberana».



“A esta Senhora da Piedade quero consagrar toda a Diocese do Algarve, aqueles que estão mais próximos ou mais distantes, os que estão mais ativos ou mais indiferentes. Não importa. O que importa é recordar que é Mãe de todos, mesmo aqueles que, às vezes, têm dificuldade em reconhecer-se como filhos. Esta Mãe não deixa de ser a sua Mãe”, sustentou.



“É uma Mãe superiora, mas que não apela para a sua superioridade”, realçou, explicando que “está serva de todos porque sabe que a escolha, o privilégio não é dela”. “Ela é apenas um dom nas mãos de Deus, que acaba por frutificar para trazer-nos o maior fruto que podíamos sonhar e que é o seu Filho, Jesus, que é nosso Salvador. É Ele que invocamos nesta hora, como perdão, misericórdia por amor por todos e cada um de nós”, completou.



D. Vitorino Soares disse ainda ser preciso ter três verbos presentes: “agradecer, acolher e confiar”. “Agradecer os dons que cada um possui, os dons que também os outros possuem e este dom também de estarmos aqui juntos hoje. Há mês ninguém sonhava com isto. Eu não sonhava”, referiu, lembrando que “os dons, muitas vezes, também são inesperados”.



O novo bispo diocesano explicou que acolher significa “acolher o outro”. “Aqueles que são estranhos tantas vezes, aqueles que muitas vezes imaginávamos que não deveriam estar, aqueles que muitas vezes imaginávamos que nem mereciam sequer pertencer”, complementou, acrescentando que significa também acolher a “novidade”, as “surpresas” e “também aquilo que, às vezes, até parece escandaloso” porque “faz parte do coração de Jesus, que não deixa ninguém de parte e, por isso, acolhe independentemente da chamada de cada um”.



D. Vitorino Soares esclareceu ainda que “o confiar é ter em conta que tudo é possível, que está tudo em aberto, mesmo que no nosso circuito esteja tudo fechado”.



O pároco de Loulé também manifestou a intenção de confiar à «Mãe Soberana» o ministério episcopal do novo bispo e o ajude “a ser no meio do povo que lhe é confiado, um verdadeiro pastor segundo o coração de Cristo”. “Hoje, unidos em torno da mesa eucarística, elevamos ao Senhor a nossa ação de graças por si e pedimos que ele abençoe abundantemente o seu ministério. Que o Espírito Santo o ilumine e conduza em todas as suas decisões. Que nunca lhe faltem a oração, o carinho, a proximidade e a generosidade do povo de Deus”, afirmou ainda o cónego Carlos de Aquino.



Em nome da comunidade, a Confraria da «Mãe Soberana» ofereceu ainda lembranças ao novo bispo e ao seu antecessor D. Manuel Quintas, realçando o “zelo pastoral” do agora bispo emérito, a “sua solicitude” por aquele santuário e o “empenho com que procurou fazer dele um espaço cada vez mais vivo de fé, de encontro, bondade e comunhão”, bem como o seu decreto de constituição oficial e canónica, no contexto do Ano Jubilar da Misericórdia, datado de 10 de abril de 2016. Também o presidente da Câmara e o presidente da Assembleia Municipal de Loulé fizeram questão de oferecer uma lembrança aos dois bispos.



A Eucaristia, que foi ainda concelebrada por D. António Carrilho, bispo emérito do Funchal, natural de Loulé, e pelo padre Carlos de Matos, capelão daquele santuário, e por vários outros padres e diáconos da diocese, terminou após o hino a Nossa Senhora da Piedade e os tradicionais vivas à «Mãe Soberana», seguindo-se um porto de honra.











