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Foi apresentado no Algarve, no passado dia 17 deste mês, o mais recente livro do padre Nuno Tovar de Lemos, membro da comunidade algarvia dos sacerdotes da Companhia de Jesus (jesuítas) e pároco da paróquia de Nossa Senhora do Amparo.

Na apresentação da publicação, intitulada “Eugénia Kraft”, que teve lugar no Centro Paroquial de Nossa Senhora do Amparo, em Portimão, o padre Frederico de Lemos, também membro da comunidade jesuíta do Algarve, introduziu que o livro “revela uma preocupação com as pessoas que não fazem parte ativa da Igreja” e que, por isso, “é um livro acessível para todos”. “Este livro é escrito a pensar não só naqueles que são católicos praticantes, mas naqueles que não são praticantes e naqueles que talvez não são católicos”.

Rosa Maria Machado explicou tratar-se de um “diário de uma pessoa” que, numa consulta a um neurologista, fica confrontada com um diagnóstico de uma doença que a vai fazer perder a memória dentro de pouco tempo. “Está ansioso porque fica separado para sempre das suas vivências, dos seus amigos, das suas experiências de vida, mas principalmente a separação da sua ex-mulher por quem ele ainda tem um grande sentido de amizade, ternura, estima e também paixão”, contou a professora.

A apresentadora do livro acrescentou que a personagem principal da obra “resolve escrever um diário para si próprio com algumas das situações mais marcantes da sua vida” e “fica em paz porque as suas escolhas, ao longo dos 40 e tal anos de vida, nem sempre foram as melhores”, não obstante não querer voltar a cometer os mesmos erros.

Por outro lado, Rosa Machado disse que a publicação aborda a “relação entre o que é a razão e o que é a fé”. “A razão está personificada no próprio sujeito que escreve o diário e a fé na sua mulher, católica, praticante, de quem ele sente alguma inveja de não poder ser como ela. Esta relação permite, de certo modo, o renascimento espiritual e abrir-lhe um pouco o coração ao amor”, explicou, acrescentando tratar-se de “um livro que se lê com muito entusiasmo”. “Permite ao leitor refletir sobre umas coisas maravilhosas e gratuitas que Deus nos oferece todos os dias e que, muitas vezes, nós só em situações extremas lhes damos o devido valor”, sustentou.

O autor da obra, que leu um trecho da publicação, referiu-se ao tema da mesma. “Tenho sempre dificuldade em responder à pergunta sobre o tema do livro. De que trata, afinal? Bem, não sei se há um tema mas, na minha cabeça, a ‘Eugénia Kraft’ trata de sabermos recomeçar, trata da vida quando ela vai a meio e trata sobretudo do difícil encontro entre a fé e a razão. Penso que qualquer bom recomeço na vida tem de partir de um abraço entre a fé e a razão. A razão dá-nos sentido crítico, mas a fé abre-nos o coração a algo maior que nós mesmos. Creio que sem um qualquer destes lados (sem a fé ou sem a razão) a vida fica coxa e arrogante. Mas também estou convencido de que não há abraço entre os dois enquanto cada um não deixar o seu autoconvencimento e mania da superioridade e não aceitar «morrer» um pouco para deixar espaço ao outro”, explicou o padre Nuno Tovar de Lemos, lendo o posfácio.

A obra, com chancela da Editorial Frente e Verso, editada o mês passado e apresentada no passado dia 8 deste mês na Feira do Livro de Lisboa, tem 224 páginas e está à venda nas principais livrarias, tendo como preço de capa 12 euros.

O padre Nuno Tovar de Lemos, nascido em Lisboa em 1960 e licenciado em Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico, para além de Teologia e Teologia Fundamental, é autor de outras obras como “O Príncipe e a Lavadeira – histórias simples para falar de Deus e de nós” e “Textos para Rezar – 24 textos do Evangelho com comentários e sugestões para a oração”.

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