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O presidente da Associação Empresarial da Região do Algarve (Nera), Vítor Neto, disse à agência Lusa não estar surpreendido com o anúncio feito pelo Governo, mas considerou “absurdas” as razões apontadas para a implementação do novo regime, que acredita não trazerem nenhum benefício para o Estado.

Para o empresário e ex-secretário de Estado do Turismo, a medida foi tomada com base numa avaliação "puramente contabilística" e nunca teve a ver com uma análise da "importância da mobilidade" para uma região como o Algarve.

"Há uma quebra enorme de circulação e de receitas na Via do Infante e a medida tomada é para garantir que essa quebra se mantenha e não há uma palavra, uma consideração, sobre as consequências disto na economia do Algarve, na mobilidade das empresas e das pessoas", lamentou.

Vítor Neto lembrou que a mobilidade é essencial na economia do Algarve, já que permite recolher receitas que, no fundo, são "exportações de Portugal", cujo setor mais importante é o turismo.

"A reação a isto é que, mesmo com este desconto, as receitas nas portagens na Via do Infante vão ainda baixar, porque provavelmente as pessoas vão usar cada vez menos a Via do Infante", concluiu.

Também o presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), João Rosado, defendeu que a medida não traz qualquer mais valia para o utilizador residente e para as empresas e que a circulação fica agora mais cara.

"A medida não era aquela de que estávamos à espera", afirmou, acrescentando que o custo do quilómetro na Via do Infante devia ser menor do que nas outras ex-Scut, já que a sua construção foi parcialmente financiada por fundos comunitários.

João Rosado considerou que o novo sistema não vai resolver o problema da quebra de utilizadores espanhóis, que ficaram "afastados" do Algarve com esta medida, com consequências para a economia regional.

O Ministério da Economia anunciou no domingo que, a partir de hoje, há uma baixa de preços de 15 por cento em todas as antigas vias Sem Custos para o Utilizador (Scut) do país, independentemente de se tratar de residentes ou não residentes e do número de passagens.

Até hoje, as empresas locais e os residentes beneficiavam de um regime de isenções que implicava a gratuitidade nas primeiras dez passagens mensais e tinham ainda um desconto de 15 por cento nas restantes.

O novo regime prevê que as empresas transportadoras de mercadorias continuem a beneficiar de um desconto adicional de 10% nas passagens durante o dia e de 25% à noite sobre as novas tarifas, o que totaliza uma redução de 25 e 40%, respetivamente.

A Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) realiza hoje uma nova vigília contra as portagens, em Faro.

Lusa

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