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Núcleo algarvio da ACEGE alerta que o lucro não pode ser o “fim último” de uma empresa

Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

O núcleo do Algarve da ACEGE – Associação Cristã de Empresários e Gestores alerta que o lucro não pode ser o “fim último” de uma empresa.

O alerta foi deixado por Miguel Sequeira, um dos gestores da cadeia Jupiter Hotéis e membro do núcleo algarvio da ACEGE, na reflexão sobre a influência da Doutrina Social da Igreja na gestão empresarial que decorreu na passada quinta-feira, 7 de maio, no Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro.

Citando aquele documento, Miguel Sequeira destacou que “viver para o lucro… é pobre”. “Se esse for o fim último da nossa empresa ou sociedade, não chega. O lucro é necessário para manter um negócio, porém o objetivo exclusivo do lucro, quando mal produzido e sem ter como fim último o bem, arrisca-se a destruir riqueza e a criar pobreza”. Segundo o gestor hoteleiro, o lucro pode ser comparado ao alimento. “Precisamos de nos alimentar para viver, mas não vivemos para comer”, concretizou, considerando que “o lucro é como o bom servo: é necessário, mas faz um mau senhor”.

Miguel Sequeira defendeu, no entanto, que “quando uma qualquer atividade não consegue produzir lucro, alguém estará a não ser recompensado pelo seu esforço, risco e investimento”. “O desejo de lucro é saudável porque significa que, se o alcançarmos, estamos a produzir riqueza e a conseguir que todos aqueles que contribuem para esse lucro sejam justamente ressarcidos”, acrescentou, lembrando que “não pode haver distribuição [de riqueza] se não há a sua criação”.

Aquele gestor, que enquadrou a sua reflexão à luz da Doutrina Social da Igreja, aludindo aos objetivos e aos princípios éticos que uma empresa deve ter segundo aquele documento, questionou: “se não conhecemos a palavra do Senhor, se não conhecemos a Doutrina Social da Igreja como é que podemos ter depois uma atuação nas várias dimensões da nossa vida, também na profissional?”.

Miguel Sequeira citou o Papa Pio XI na sua encíclica “Quadragesimo anno” para destacar que “o bom empresário é o que põe o primeiro pensamento no serviço e o segundo no ganho”.

Aquele gestor, que se referiu também ao documento “A vocação do líder empresarial”, publicado pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz em 2013, aludiu ao desafio profissional do Jupiter Hotéis e explicou como é que o planeamento da atividade daquele grupo hoteleiro, detentor de uma unidade de quatro estrelas com 180 quartos em Portimão, na Praia da Rocha, e outra de igual classificação que será inaugurada no próximo mês de junho em Lisboa, procura encontrar-se com os critérios de Cristo.

Foto © Samuel Mendonça
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“Co-empreendedores. Esta palavra é a chave daquilo que nós procurámos planear e estamos a tentar executar no nosso grupo empresarial. Criarmos as condições, o ambiente, a cultura, as ferramentas para que todos aqueles que integram a nossa equipa se comportem, verdadeiramente, como co-empreendedores, que a certa altura são capazes de ter tanta ou mais iniciativa do que nós que, supostamente, temos uma responsabilidade maior”, afirmou, explicando que “ainda não houve tempo suficiente para medir o impacto das mudanças” que estão a ser implementadas.

Miguel Sequeira destacou estar a tentar implementar na cadeia hoteleira aquela que é uma máxima da ACEGE: promover o amor como critério de gestão. Este critério, que tem por base o “amor ao próximo”, operacionaliza-se no seguinte procedimento: “tratar o outro como eu gostava de ser tratado se estivesse no lugar dele com a informação que eu tenho”. “Sentir sobre os outros aquilo que gostaríamos que sentissem por nós e pensar sobre os outros aquilo que gostaríamos que pensassem sobre nós não é fácil, de facto. Mas falar com os outros como gostaríamos que falassem connosco e tratar os outros como gostaríamos de ser tratados tem de ser fácil, tem de ser possível por todos”, considerou o orador.

Neste sentido, disse ser preciso ter a “visão clara que uma coisa é o erro e outra coisa é o errante” e “não confundir” as duas. “Com o erro temos de ser implacáveis. Com o errante, a paciência porque todos nós erramos”, defendeu, testemunhando a compatibilidade dos critérios cristãos com os empresariais. “Acredito que estou a crescer muito mais como pessoa e como profissional, a partir do momento em que me completei como gestor e como pessoa e integrei mais os critérios de Jesus”, afirmou.

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