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O Algarve despediu-se do padre Domingos Fernandes

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve presidiu esta manhã, na igreja da Mexilhoeira da Carregação, à missa de exéquias do padre Domingos da Silva Fernandes, de 77 anos, falecido ontem no hospital de Alvor, vítima de doença do foro hepático.

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“A progressiva fragilidade na saúde, revelada nestes últimos tempos e, sobretudo, neste último mês, inclusive com internamentos hospitalares, apesar de todos os esforços e cuidados médicos aos mais diversos níveis, constituiu para o padre Domingos um sinal, acolhido à luz da fé, indicativo de que a sua páscoa estava próxima”, começou por afirmar D. Manuel Quintas, desafiando a todos os que encheram a igreja e ainda se aglomeraram no exterior, junto à entrada, a “acolher este sinal de Deus, à luz da fé e da Páscoa de Cristo”. “O testemunho que guardo dele é o modo também como encarou esta doença”, sustentou ainda acerca do padre Domingos Fernandes.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Eis-nos, assim, caríssimos irmãos, reunidos em eucaristia exequial, para rezarmos por aquele que tantas vezes aqui rezou por vós e convosco, indicando-vos com a sua palavra, e sobretudo com o seu exemplo, o caminho que conduz a este encontro definitivo com o Pai. Eucaristia que todos queremos seja igualmente de ação de graças pelo dom da sua vida (77 anos), do seu sacerdócio (50 anos), vivido como serviço dedicado à nossa Igreja diocesana, onde chegou cerca de mês e meio após a sua ordenação”, referiu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Em ano missionário que a Igreja está a viver, D. Manuel Quintas destacou a sua “atitude de deixar a sua terra, os seus familiares, a sua diocese e vir para o Algarve”. “Atitude que traduz uma verdadeira expressão de fraternidade, comunhão eclesial e missionária”, acrescentou.

Durante a celebração, o prelado lembrou o “testemunho de vida” que o falecido deixou “como sacerdote e missionário desde a primeira hora”. “Dele guardamos o testemunho de um sacerdote totalmente dedicado às suas comunidades, por vezes com uma exigência algo desproporcionada, sobretudo para quantos procuravam caminhos fáceis e descomprometidos de participação na vida paroquial e de adesão e sentido de pertença à Igreja”, prosseguiu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo diocesano considerou que o padre Domingos Fernandes “ficará para sempre ligado” àquela paróquia e àquele vicariato, não obstante ter passado por outras, “nomeadamente por Estômbar, de onde partiu para a edificação destas duas comunidades”. “Empenhou-se profundamente na sua constituição, bem como em dotá-las de estruturas que lhes permitissem crescer numa fé esclarecida, assumida, celebrada e testemunhada. A elas entregou o melhor de si mesmo: a sua energia e juventude, o seu saber, a sua vida como sacerdote dedicado e generoso. Por isso, e por tudo o mais, estamos-lhe profundamente gratos”, afirmou.

O bispo do Algarve não esqueceu ainda a dedicação do sacerdote ao Corpo Nacional de Escutas. “O facto de ter pedido para ser sepultado com o lenço de escuta, diz bem o empenho que pessoalmente sempre manifestou, bem como o apreço que nutria por este movimento e que todos lhe reconhecemos”, observou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A terminar, D. Manuel Quintas desejou ainda que o “testemunho da sua vida e do seu serviço” à Igreja diocesana “obtenham do Senhor da Messe o dom de novas vocações ao sacerdócio, à vida consagrada e à vida missionária”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O prelado lembrou ainda que “Deus chamou o senhor padre Domingos também numa data particular”. “Estamos nas vésperas de celebrar a solenidade do Coração de Jesus, um dia há muito instituído pela Igreja como um dia de oração pela santificação dos sacerdotes. Neste dia, sufragando a alma de um sacerdote, queremos agradecer ao Senhor o dom de todos aqueles que acolheram na sua vida o ministério ordenado e queremos, de maneira particular, também rezando pelo padre Domingos, certamente com ele no céu, ter presente todos os nossos sacerdotes”, acrescentou na celebração participada por inúmeros sacerdotes e diáconos da diocese algarvia.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve manifestou ainda o seu reconhecimento a todos aqueles que acompanharam o sacerdote “desde que a doença começou a manifestar-se” e a quantos colaboraram com ele. “Era sempre ele que, tantas vezes ao sábado, me telefonava a dizer que nesse domingo estavam garantidas as missas”, recordou, agradecido particularmente ao monsenhor Joaquim Cupertino e ao padre Joaquim Correia que “o aliviaram desse encargo que ele assumia plenamente”. “Recordamos como ele, tantas vezes, veio celebrar praticamente sem poder, mas até ao fim manteve-se firme e, sobretudo, sentia profundamente a sua comunhão com estas duas comunidades cristãs”, acrescentou, agradecendo também “a todos aqueles, leigos empenhados das duas comunidades, que levaram para a frente a vida” daquelas e também a todos os que trabalham no jardim de infância. O bispo diocesano agradeceu “o empenho que colocaram em levar para a frente esta instituição que serve tantas crianças e tantos pais”. “Isso, para mim, também foi um estímulo e muito gratificante observar que a vida continuava, apesar da fragilidade do padre Domingos”, disse.

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Por último, D. Manuel Quintas agradeceu ainda ao padre Nuno Coelho, vigário da vigararia de Portimão, à qual pertencem aquelas duas comunidades, por ter estado “sempre disponível para colaborar com o padre Domingos, quer agora, de maneira particular nesta fase mais final da sua doença, em assistir estas comunidades e, particularmente, também em organizar ontem e hoje para que tudo pudesse correr bem”. O bispo diocesano agradeceu-lhe ainda por se ter disponibilizado para acompanhar o falecido à sua terra natal onde ficará sepultado.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O féretro seguirá para Junqueira, Vila do Conde, onde amanhã, pelas 10 horas, será celebrada a missa, presidida por D. Jorge Ortiga, de quem foi colega o falecido. A Câmara de Lagoa disponibilizou um autocarro para quem queira participar no funeral naquela localidade, gentileza pela qual o bispo do Algarve também manifestou o seu reconhecimento.

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