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Fernando Perna falava no fórum “Portagens no Algarve – Impacto Económico e Social”, uma iniciativa da Plataforma de Luta Contra as Portagens na Via Infante que reuniu cerca de 150 participantes, entre autarcas, empresários, deputados e cidadãos.

Segundo um cenário apresentado pelo docente da área do Turismo, um percurso de 300 quilómetros na A22 – incluindo combustível e portagens -, custará 51,18 euros, mais do dobro dos 23 euros de gasto estimado para o mesmo percurso na Andaluzia.

Fernando Perna alerta ainda que as portagens vão provocar um aumento da carga fiscal sobre o turismo, sobretudo nas visitas dos excursionistas da Andaluzia, que são aqueles que ficam na região apenas um dia sem dormida em alojamento.

De acordo com a estimativa daquele docente, para uma viagem de 300 quilómetros na A22 já com portagens a carga fiscal passará a representar 79,6 por cento do preço final contra os atuais 61,6 por cento.

Dados recentes apresentados pelo investigador indicam que mais de 80 por cento das entradas de espanhóis no Algarve se referem a excursionistas, num universo de cerca de um milhão de entradas de espanhóis na região por ano.

A criação de uma oferta integrada de transportes públicos no Algarve e de uma linha de autocarro guiado foram algumas das soluções apresentadas por outros especialistas para uma melhor organização da mobilidade na região.

De acordo com outro docente da Universidade do Algarve, Manuel Tão, a introdução de portagens é um sintoma que revela o “cansaço” do modelo de mobilidade praticado na região nos últimos 20 anos.

O especialista diz que a “Rua Nacional 125” não é uma alternativa à A22. E defende uma moratória à introdução de portagens na região, medida que, diz, vai “penalizar duplamente” – externa e internamente -, o Algarve

O engenheiro João Reis Simões defende, por seu turno, que seja estudada a hipótese de introdução de um autocarro guiado, que circularia em via própria, e que apresenta mais vantagens do que o comboio.

De acordo com aquele responsável, os comboios no Algarve transportam apenas 4.000 passageiros por dia e um metro ligeiro, para ser rentável, teria que transportar 15.000 por hora e por cada sentido de rota.

Folha do Domingo/Lusa
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